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Atualizado às: 04 de novembro, 2008 - 04h44 GMT (02h44 Brasília)
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Com Obama ou McCain, Brasil espera mais protecionismo

John McCain e Barack Obama
Governo avalia que novo presidente dará prioridade a questões internas
Na avaliação do governo brasileiro, seja Barack Obama ou John McCain, o novo presidente dos Estados Unidos deverá adotar uma política comercial protecionista, contrária aos interesses do Brasil.

A avaliação do governo brasileiro, de uma forma geral, é de que a atual conjuntura deverá se sobrepor à ideologia dos partidos, seja ele democrata ou republicano.

Segundo fontes do governo ouvidas pela BBC Brasil, dois fatores conjunturais justificam essa expectativa: a crise financeira e a tendência de maioria democrata no Congresso americano.

Em uma situação normal, o Partido Democrata americano tende a ser mais protecionista, enquanto o Republicando é, tradicionalmente, a favor do livre comércio.

Mas, o novo presidente dos Estados Unidos assumirá o cargo em meio a uma das piores crises financeiras da história.

Tanto Obama quanto McCain terão, como prioridade, evitar que o país mergulhe na recessão.

Temas como imigração e comércio, de interesse do Brasil, devem ficar em segundo plano, independentemente de quem seja eleito.

Nesse contexto, as chances de uma política americana mais liberal são reduzidas.

E mesmo McCain, que em tese poderia ser a melhor opção para o Brasil em termos de política comercial, terá dificuldades de resistir a pressões por fechamento do mercado americano.

Além disso, a avaliação do governo brasileiro é de que o novo presidente vai governar com uma casa legislativa majoritariamente democrata e, portanto, mais protecionista.

"Seja Obama, seja McCain, o novo presidente vai lidar com um Congresso muito mais preocupado em resolver problemas internos", diz uma fonte do Planalto.

Preferência

A posição oficial do Brasil é de neutralidade na disputa eleitoral dos Estados Unidos.

Apesar disso, Lula declarou, recentemente, que seria "extraordinário" ter um negro à frente da maior economia do mundo.

Assessores do presidente afirmam que essa é uma "opinião pessoal" e que a preferência de Lula por Obama tem um cunho simbólico, e não considera os efeitos práticos que o candidato democrata traria para o Brasil.

"Para o presidente, o importante é a mensagem de mudança que Obama traz, nada além disso", diz a mesma fonte.

'McBama'

Na opinião de Marcos Azambuja, ex-embaixador do Brasil em Buenos Aires e em Paris, tanto McCain quanto Obama defendem idéias que vão ao encontro da política externa brasileira, e também pontos contrários.

"Pode-se dizer que o ideal, para o Brasil, seria um McBama", diz.

Por um lado, McCain poderia beneficiar o Brasil em questões mais práticas, sobretudo em relação ao comércio e à redução dos subsídios agrícolas nos Estados Unidos.

Já Obama, diz Azambuja, está mais alinhado ao Brasil no que diz respeito às grandes causas, como meio ambiente e desarmamento.

Nesse cenário de empate, diz o embaixador, a preferência de Lula por Obama é "compreensível".

"Em matéria de diplomacia presidencial, a relação pessoal entre dois líderes é tão importante quanto fatores políticos ou econômicos".

Segundo ele, a afinidade entre Lula e Obama é mais "clara", já que os dois foram considerados presidentes "improváveis" e se elegeram em meio a um desejo de rompimento com a política anterior.

"Acredito que a chance de sucesso da política externa brasileira em relação aos Estados Unidos, com Obama à frente, é maior, pois há uma clara identificação entre os dois" diz Azambuja.

Além de votar para presidente, os americanos vão votar em novos congressistas e, em alguns Estados, escolher um novo governador e opinar em referendos.

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