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QG de Obama em Indiana é 'vizinho' de sede da Ku Klux Klan | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A aproximadamente 18 quilômetros de um ativo quartel general da campanha de Barack Obama no Estado de Indiana, fica a sede, ainda ativa, de uma das divisões da organização supremacista branca Ku Klux Klan, que no início do século passado promovia uma série de atrocidades contra negros. A pequena Osceola, situada nos arredores de South Bend, abriga uma fazenda onde reside Richard Loy, o líder da Igreja dos Cavaleiros Nacionais da Ku Klux Klan, que, segundo autoridades locais, até dez anos atrás contava com algo entre 10 a 15 membros regulares. Loy chegou a promover passeatas na região e manifestações da Klan, ou KKK, como é conhecida a entidade, na sede da prefeitura em Osceola ou no centro de South Bend, em meados dos anos 90. Mas, atualmente, ele vem mantendo um perfil mais discreto e evita o contato com a mídia. Poder reduzido De alguns anos para cá, a organização na região vem sendo encarada mais como um constrangimento do que como uma ameaça pelos moradores locais. A KKK originalmente foi fundada na região sul dos Estados Unidos por fazendeiros confederados, que viram seu poder diminuir após o fim da Guerra Civil Americana, que pôs fim à escravidão no país. A primeira encarnação da entidade acabou morrendo aos poucos, porque foi combatida pelo governo, que temia o poder paralelo representado pela entidade. Histórico A KKK teve um forte papel na vida política de Indiana até o início do século passado. Curiosamente, o partido a que pertence aquele que poderá ser o primeiro presidente negro na história americana, o democrata, é o mesmo a que pertenceu o responsável pelo estabelecimento da Ku Klux Klan em Indiana. A segunda vida da Ku Klux Klan se deu no início do século 20. Em Indiana, o rápido crescimento da organização na década de 20 se deu graças a DC Stephenson, um político do Partido Democrata, que mais tarde se transferiu para os republicanos. Em menos de dois anos, Stephenson recrutou mais de 300 mil pessoas para a KKK e se tornou o organizador da entidade em outros 19 Estados. Em 1925, após ter cometido o estupro e a mutilação de uma jovem da sociedade local, Stephenson foi preso e condenado, causando um sério revés para a organização em Indiana. No auge de sua atuação no norte de Indiana, Stephenson chegou a cunhar uma frase que virou lenda na vida política local: ''Eu sou a lei em Indiana''. Comícios A jornalista Nancy Sulok, do jornal South Bend Tribune, que já escreveu diversas vezes sobre a presença da entidade racista na cidade, disse à BBC Brasil que até meados dos anos 90, o escritório regional da KKK chegou a conseguir organizar comícios que trouxeram a South Bend de 200 a 300 militantes, vindos de diferentes partes dos Estados Unidos. Mas, de acordo com Sulok, estes eventos foram se tornando gradativamente menores. ''Quando Richard Loy e seu pai, Railton, que é um antigo membro da entidade, tentaram retomar as atividades da Klan no Estado, houve um esforço em sentido contrário muito forte. As pessoas começaram a promover eventos de conscientização com ajuda de igrejas locais para esclarecer os moradores sobre o que a KKK representava”, conta a jornalista. Dentro da bizarra nomenclatura hierárquica da KKK, Richard Loy é classificado como um grão-dragão, ao passo que seu pai é um mago imperial. Ironicamente, o pai do atual líder teve a sua credibilidade abalada junto à própria Ku Klux Klan quando teve suas credenciais racistas questionadas, contribuindo ainda mais para o enfraquecimento da entidade no Estado. ''O primeiro marido da atual mulher de Railton Loy foi um porto-riquenho. E os representantes da KKK consideraram uma hipocrisia que Loy pregasse a mensagem de supremacia branca da entidade enquanto tinha filhos de criação de raça mista'', relata Nancy Sulok. Legado Para Ken Baierl, morador de South Bend e eleitor de Barack Obama, os moradores locais já superaram o legado racista. ''As pessoas estão olhando para Obama pelo que ele representa, não pela sua aparência. As pessoas não estão preocupadas com a raça dele e sim com o que ele pode fazer pelo país. E isso é um grande passo para os Estados Unidos.'' Outro eleitor do candidato democrata, Doug Archer, é um pouco mais cético em relação à suposta eliminação do racismo na vida local. ''Acho que (o racismo) ainda não desapareceu. Há atitudes que ainda permanecem e que remetem a gerações passadas. Mas espero que a maioria tenha deixado isso para trás. Ele (Obama) está olhando para o futuro e falando para todos os americanos.'' |
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