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Atualizado às: 19 de outubro, 2008 - 11h25 GMT (09h25 Brasília)
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Bolívia vota data para referendo sobre Constituição

O presidente da Bolívia, Evo Morales
Presidente já afirmou que que 'refundar a Bolívia' com nova carta
O Congresso Nacional da Bolívia deve aprovar neste domingo uma data para a realização do referendo popular que ratificará ou rejeitará a nova Constituição do país.

As discussões sobre a data do pleito começaram na noite de sábado e entraram madrugada adentro. A expectativa do governo do presidente Evo Morales é votar a medida neste domingo.

"Nosso acordo (com a oposição para se chegar a votação) está por um milímetro", disse o vice-presidente e presidente do Congresso, Alvaro García Linera.

O senador Félix Rojas, do partido governista MAS (Movimento ao Socialismo), disse acreditar que o referendo será realizado no dia 25 de janeiro.

Segundo ele, setores da oposição estão inclinados a aprovar a medida, ampliando as chances de o governo de conseguir a maioria necessária de votos para a realização do referendo.

Minoria no Senado

O Executivo tem maioria na Câmara dos Deputados, mas conta com minoria no Senado.

A nova Carta Magna só entrará em vigor se for ratificada em plebiscito. Por isso, esta sessão do Congresso está no centro das atenções do país.

Milhares de seguidores de Morales caminham desde segunda-feira, dia 13 de outubro, em direção à capital La Paz, onde fica o Congresso Nacional.

O objetivo da caminhada de cerca de 200 quilômetros, que deverá chegar à capital nesta segunda-feira, é pressionar os parlamentares pela aprovação do texto.

O presidente Morales disse, várias vezes, que pretende "refundar a Bolívia" a partir da Constituição.

"Não vamos sair de La Paz enquanto o referendo não for aprovado", disse Félix Barra, do Conselho de Federações de Cocaleiros dos Yungas, que participa da caminhada.

Atropelamento

No fim da noite de sábado, a imprensa boliviana informou que um manifestante morreu atropelado por um carro em alta velocidade e com os faróis apagados, na localidade de Calamarca, a 60 quilômetros de La Paz.

Morales iniciou a caminhada e tem apoio dos diferentes movimentos sociais para implementar a nova carta, mas enfrenta oposição dos políticos da região mais próspera do país – a chamada "meia lua", que reúne os Estados de Santa Cruz e Tarija e ainda as menos desenvolvidas, Beni e Pando.

Na noite de sábado, mulheres que integram o Comitê Cívico Santa Cruz realizaram uma vigília na praça principal de Santa Cruz de la Sierra, capital de Santa Cruz, e bastião da oposição, contra a aprovação do referendo.

Até o início da madrugada de domingo, a discussão, no Congresso Nacional, era em torno do pedido da oposição para que o governo suspenda o estado de sítio em Pando, onde ocorreram várias mortes no dia 12 setembro.

Segundo o governo, camponeses foram vítimas de atiradores profissionais. O então governador Leopoldo Fernández, da oposição, foi afastado do cargo e está sendo investigado.

O deputado do MAS, Gustavo Torrico, disse que a vigência do estado de sítio "não tem sentido" se a convocação do referendo for aprovada.

A expectativa é de que o Congresso aprove, segundo políticos da situação, uma lei com modificações na nova carta – que não alterariam seu conteúdo principal – e outra convocando o referendo.

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