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Atualizado às: 14 de outubro, 2008 - 09h10 GMT (06h10 Brasília)
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Foi-se o tempo em que o mercado podia tudo, diz Lula ao 'El País'
O presidente Luis Inácio Lula da Silva na Espanha (Foto: Ricardo Stuckert/PR)
O presidente Luis Inácio Lula da Silva ao lado da estátua de Don Quixote, no Museu de Santa Cruz
O presidente Luís Inácio Lula da Silva disse, em entrevista ao jornal espanhol El País, estar convencido de que a crise financeira dará lugar a profundas mudanças no mundo.

"Foi-se o tempo em que o mercado podia tudo...Foram-se os tempos em que as economias emergentes dependiam do FMI (Fundo Monetário Internacional) e em que a América Latina não tinha voz própria", disse o presidente na entrevista, publicada neta terça-feira.

Segundo o El País, Lula, que na segunda-feira recebeu o prêmio Quixote na Espanha por sua "contribuição à língua espanhola", deu a idéia de que “o Brasil, pouco a pouco, está se convertendo em uma potência emergente regional e global”.

Para o jornal, Lula quer não apenas marcar o passo na América do Sul, mas ainda influenciar o resto do mundo.

O jornal comenta que, de Madri, Lula seguiria para a cúpula da IBAS (grupo formado por Índia, Brasil e África do Sul), na Índia, para conversar com o primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh sobre a Rodada Doha de comércio internacional, que, segundo o presidente, estaria parada por falta de acordo entre Estados Unidos e Índia sobre a agricultura.

“Vou dizer (a Singh), que não haverá gesto mais positivo para começar a superar a crise financeira do que concluir a Rodada Doha”, teria dito Lula ao El País.

“Lula está convencido de que uma maior abertura do comércio mundial é um bom antídoto para a crise”, diz o El País.

“A Rodada Doha não é um problema econômico, é político”, disse o presidente ao jornal.

Lula acredita que a crise financeira também é uma questão política, diz o jornal, e requer uma solução por parte dos chefes de Estado. O presidente também quer uma nova regulamentação do mercado.

“A crise já não é um problema só dos bancos, é dos correntistas. E quando é dos correntistas, é uma questão de Estado. O Tesouro público de cada país deve garantir a liquidez para manter o acesso ao crédito e às poupanças das pessoas”, disse Lula ao jornal.

O presidente voltou a dizer que o Brasil está preparado para fazer frente à crise, lembrando ainda que nenhuma das obras de infra-estrutura foi cancelada no país por causa das turbulências financeiras no mundo.

O presidente Luiz Inácio Lula da SilvaCrise financeira
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