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Cultura e história do tráfico se espalham pelo México | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O prédio da Secretaria de Defesa Nacional, na Cidade do México, abriga um pequeno museu, fechado para o público, que faz uma radiografia da história e da cultura do narcotráfico no país, que já se espalha pela classe média mexicana. Entre os objetos expostos estão uma arma Colt .38 de ouro incrustrada com esmeraldas, que pertenceu ao líder do cartel de Chihuahua, Amado Carrillo; uma camiseta com blindagem dupla na área que cobre o coração, que foi do líder do cartel do Golfo do México, Osiel Cárdenas. Além de objetos inusitados em ouro e roupas extravagantes, há também altares para a Virgem de Guadalupe e a Jesús Malverde, um santo polêmico, originário da região de Sinaloa. Foi em Sinaloa que, nos anos 50, começaram as plantações de maconha e papoula e também o tráfico de drogas em grande escala para os Estados Unidos. O culto a Malverde estabelece o que pode ser considerado como justificativa para o tráfico de drogas no México, de que a lei e a justiça não caminhanm lado a lado. Ladrão O mito afirma que Malverde era um ladrão do século 19, que se cobria com folhas de árvores para passar despercebido (daí o nome "mal-verde"). O ladrão foi preso pela polícia depois da delação de um amigo, enforcado e o padre se recusou a encomendar o corpo e não permitiu que o bandido tivesse um funeral católico. O enterro foi feito por pessoas comuns, perto de uma estrada. No local, atualmente há uma capela, apesar de o culto a Malverde não ser reconhecido pela Igreja Católica. Os fiéis levam objetos roubados à capela e pedem que Malverde resolva alguma injustiça. Os traficantes de drogas mexicanos adotaram Malverde como santo e financiam capelas para ele. Muitos tatuavam a imagem do homem de bigodes nos braços.
Cinema e música Todas as imagens ligadas ao narcotráfico acabaram se transformando em uma espécie de cultura paralela. Músicas e filmes sobre narcotraficantes estão proibidos em estações de rádio e nos cinemas. Mas, eles podem ser encontrados em CDs e DVDs piratas. Desde 1976 existem filmes que fazem parte desta cultura e os enredos são sempre parecidos: uma família honesta atravessa problemas financeiros graves e, para sobreviver, acaba ajudando no tráfico de drogas. Os longas de baixo orçamento eram filmados em plantações de maconha e papoula e as namoradas dos traficantes eram as atrizes. Já na música, ou os "narcocorridos", o que vale é a ostentação, a história do homem pobre que não tinha nada e agora tem poder e dinheiro. As letras exaltam a liberdade de mercado e a legitimidade em ganhar dinheiro. Algumas músicas, como La Cruz de Amapola, se referem aos grandes chefes do tráfico como gerentes e aos traficantes como distribuidores.
Classe média Os grandes chefões do tráfico no México já não querem se associar a esta cultura. A segunda geração de grandes traficantes é formada por universitários formados em administração de empresas, que não ostentam dinheiro e contratam químicos para a fabricação de drogas. Mas, a cultura do tráfico está em todos os cantos do país, na forma de músicas, camisetas, filmes e tatuagens. As classes média e alta compram os veículos Hummer, com vidros escuros para se sentirem como os grandes traficantes, seguros. O fenômeno que leva a classe média a ouvir as músicas e ver os filmes sobre o tráfico ajuda a criar uma certa identidade em um país no qual as pessoas se sentem mais próximas vendo um mesmo programa de televisão do que morando numa mesma cidade. E mesmo que seja rejeitada pelas novas gerações de traficantes, esta cultura já começa a recrutar gerações ainda mais novas. |
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