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Atualizado às: 18 de setembro, 2008 - 20h31 GMT (17h31 Brasília)
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Brasil vai vender dólares para aumentar liquidez global

Presidente do BC, Henrique Meirelles
Meirelles quer 'corrigir distorção' nos mercados internacionais
O presidente do Banco Central brasileiro, Henrique Meirelles, anunciou nesta quinta-feira em Nova York que o Brasil vai fazer leilões de dólares no mercado internacional para ajudar a aumentar a liquidez global.

"O Banco Central vai estar atuando no sentido de corrigir uma distorção nos mecanismos de fornecimento de liquidez dos mercados internacionais", afirmou Meirelles em uma coletiva de imprensa no Consulado Brasileiro em Nova York, durante viagem para discutir a crise nos mercados financeiros com autoridades do Fed, o Banco Central americano.

Embora mais detalhes sobre os leilões só devam ser revelados em Brasília, o presidente do BC explicou que usará uma modalidade de leilão que na prática funciona como um empréstimo aos compradores, já que o país retomará os dólares novamente por meio de contratos futuros.

O Brasil possui atualmente mais de US$ 200 bilhões de reservas internacionais.

A medida têm também o objetivo de aumentar a liquidez no mercado brasileiro.

Segundo o presidente do BC, graças ao bom funcionamento da economia brasileira, a liquidez em real continua normal, mas que o “problema na liquidez nos bancos norte-americanos - que são os grandes provedores de dólares - se reflete evidentemente nas linhas interbancárias de dólares."

Meirelles disse que a crise será mais prolongada do que se previa originalmente. "Não é algo que se possa prever nesse momento", disse. "Estamos vivendo um clima de muita incerteza."

Impacto no Brasil

Para o Meirelles, o impacto da atual crise norte-americana no Brasil deve ser diferente de situações no passado, "não apenas devido ao montante das reservas, mas também aos fundamentos da economia brasileira como, por exemplo, o mecanismo de câmbio flutuante".

Além dos US$ 200 bilhões em reservas internacionais líquidas, o Brasil tem mais de US$ 20 bilhões em operações conhecidas como “swaps cambiais reversos”, que são, na prática, uma posição do mercado de futuros.

"O que queremos dizer é que uma posição de reservas deste porte, conjugada com um regime de câmbio flutuante, é muito mais forte e muito mais resistente que um regime de câmbio administrado, que está mais sujeito exatamente às flutuações da versão de risco internacional", disse.

"Além do mais, o Brasil é credor líquido de moeda estrangeira, ao contrário do passado, quando era um devedor líquido de proporções importantes em relação ao tamanho da economia do país. Portanto, aquele antigo ciclo de deteriorização de confiança em que uma desvalorização cambial do real levava à piora da relação de dívida pública produto - na medida que uma boa parte da dívida era polarizada - é uma coisa do passado”.

O presidente do BC ainda ressaltou que “hoje, sendo um credor líquido em dólares, quando há uma desvalorização do real perante o dólar, a dívida pública (brasileira) cai em termos líquidos."

Meirelles também afirmou que, "o sistema financeiro brasileiro é sólido e capitalizado e não tem exposição direta sobre esses ativos que estão sendo a fonte dos problemas dos Estados Unidos”.

Além disso, segundo o ministro, os bancos brasileiros e o sistema como um todo, têm folga nos limites de capital ajustados à função de risco, ou seja, o índice da Basiléia encontra-se bem acima dos 11% exigidos.

País está melhor preparado

Meirelles também ressaltou que no segundo trimestre deste ano, o país cresceu 6%, o que classificou como "uma taxa de crescimento muito forte para o Brasil".

"O Brasil está crescendo fortemente impulsionado pela demanda doméstica, com o crescimento da renda, com o crescimento do emprego e com o crescimento do crédito em reais”.

Segundo ele, não há dúvida de que o índice de crescimento do Brasil sofre impacto do crescimento desacelerado do mundo, não só pelo canal do comércio, mas também pelos canais financeiros, mas “o Brasil hoje está muito melhor preparado que no passado para enfrentar essa situação e talvez melhor preparado que muitos outros países."

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