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Atualizado às: 01 de setembro, 2008 - 13h05 GMT (10h05 Brasília)
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Governo Lugo enfrenta 1ª crise após 20 dias no poder

O presidente do Paraguai, Fernando Lugo, na cerimônia de posse (15/08/2008)
Aliança de Lugo venceu Colorado, mas precisa compor para governar
Menos de vinte dias após tomar posse, o presidente do Paraguai, Fernando Lugo, enfrenta seus primeiros desafios políticos, que podem dificultar a aprovação de projetos do governo no Congresso Nacional.

O ex-presidenciável e ex-general do Exército Lino César Oviedo, do partido Unace (União Nacional de Cidadãos Éticos), que tinha prometido apoiar as medidas de Lugo, criticou-o no fim de semana em uma entrevista ao jornal ABC Color, de Assunção.

Oviedo acusou o presidente de ter mudado de opinião sobre o destino político do ex-presidente do país, Nicanor Duarte Frutos, eleito senador nas últimas eleições, de 20 de abril.

"Primeiro, Lugo disse que Nicanor tinha direito a ser empossado (como senador). Agora, diz que ele deve ir pra casa. Ele é um 'tova mokõi' (hipócrita, em guarani). Tem discurso duplo", disse.

A candidatura do ex-presidente foi questionada por diferentes setores, mas acabou sendo ratificada pelo Tribunal de Justiça Eleitoral e pela Suprema Corte de Justiça.

Entretanto, parlamentares de diferentes tendências mostraram resistência à eleição de Nicanor Duarte, que como ex-presidente já tem direito ao cargo de senador vitalício – com direito a voz, mas não a veto e nem benefícios da carreira.

Nicanor Duarte

Na semana passada, mesmo sem quórum, o ex-presidente foi empossado no Senado e sua posse foi imediatamente questionada por políticos governistas. Lugo, então, declarou que ele deveria ir para casa e aceitar a condição de "senador vitalício".

A situação gerou o primeiro mal estar político para Lugo. Desde sua posse em agosto, os trabalhos no Senado têm sido dominados por um único assunto: a posse ou não de Duarte Frutos numa cadeira na casa.

Lugo teria afirmado: "Suponhamos que esse Congresso passe dois, três meses sem funcionar. Perguntarei aos cidadãos: 'Esse é o Congresso que vocês elegeram? É o comportamento que nós, paraguaios, merecemos? Um Congresso que está sendo pago e não funciona?'".

No dia seguinte, em entrevista ao canal 13, ele reiterou que Frutos deveria ir para casa, mas negou ter feito as afirmações sobre o Parlamento. "São fantasias", declarou. E ressalvou: "Mas tenho vergonha de alguns membros da nossa classe política paraguaia".

Lugo, ex-bispo católico, foi eleito por uma coalizão chamada Aliança Patriótica para a Mudança (APC, na sigla em espanhol), que reúne desde o tradicional Partido Liberal (PLRA, de centro-direita) a pequenos movimentos sociais de esquerda.

A aliança obteve uma vitória histórica, derrotando, pela primeira vez em 61 anos, o Partido Colorado. Mas para ter maioria de votos no Congresso Lugo precisará, segundo analistas, dos votos de setores do Partido Colorado e do Unace.

Hidrelétricas

Oviedo também criticou Lugo por não ter cumprido as promessas de campanha sobre as hidrelétricas Itaipú (binacional com o Brasil) e Yacyretá (binacional com a Argentina).

Nicanor Duarte Frutos, ex-presidente do Paraguai
Destino político de Nicanor Duarte é motivo de divergências

"Eles disseram que iam intervir em Itaipú e em Yacyretá para eliminar a corrupção, e que os gastos sociais de Itaipú iam ser controlados pelo Congresso Nacional. Agora dizem que existem dificuldades porque descobriram que Itaipu é binacional", afirmou Oviedo.

Na entrevista, o ex-general sugeriu que Lugo estaria seguindo os passos dos presidentes da Venezuela, Hugo Chávez, e da Bolívia, Evo Morales.

"Ele deve estar pensando em fechar (o Congresso). Para que quer (Congresso) se pode administrar por decretos como (Hugo) Chávez, (Rafael) Correa e (Evo) Morales?".

As declarações de Oviedo, do Unace, foram dadas às vésperas do envio, nesta segunda-feira, do orçamento de 2009 do governo Lugo ao Congresso Nacional.

Quando questionado pelo jornal paraguaio se seu partido desistirá do apoio que tinha declarado a Lugo, o ex-general respondeu: "O Unace não vai apoiar nada que altere a Constituição, a lei e os acordos internacionais".

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