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Atualizado às: 27 de agosto, 2008 - 00h53 GMT (21h53 Brasília)
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Ocidente condena reconhecimento russo no Cáucaso
Dmitry Medvedev
Medvedev disse que agiu para impedir 'genocídio' contra separatistas
Líderes ocidentais condenaram com veemência a decisão da Rússia de reconhecer a independência das regiões separatistas da Geórgia - Ossétia do Sul e Abecásia.

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, advertiu o seu colega russo, Dmitry Medvedev, nesta terça-feira, que sua "decisão irresponsável" está "exacerbando as tensões na região e complicando as negociações diplomáticas".

"Esta decisão é inconsistente com várias resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas em que a Rússia votou a favor no passado, e também é inconsistente com o acordo de cessar-fogo de seis pontos mediado pela França que o presidente Medvedev assinou", disse Bush em uma declaração.

"De acordo com as resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas que estão em vigor, a Abecásia e a Ossétia do Sul estão dentro das fronteiras da Geórgia que são reconhecidas internacionalmente e elas precisam continuar assim."

A França, que ocupa a Presidência rotativa da União Européia, também condenou a decisão russa e pediu uma solução política para a crise.

"Nós achamos que isto é contra a integridade territorial da Geórgia e não podemos aceitar", disse o ministro do Exterior da França, Bernard Kouchner.

O secretário-geral da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte, a aliança de defesa ocidental), Jaap de Hoop Scheffer, disse que o anúncio russo é "uma violação direta" de várias resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas sobre a Geórgia, que a Rússia endossou.

Mais cedo, a Rússia havia cancelado uma visita de Hoop Scheffer ao país - uma de várias medidas para suspender a cooperação com a aliança.

Geórgia

A Geórgia disse que a Rússia está buscando "mudar as fronteiras da Europa à força".

O presidente georgiano, Mikhail Saakashvili, acusou a Rússia de tentar "separar o Estado georgiano, minar os valores fundamentais da Geórgia e varrer a Geórgia do mapa".

Saakashvili disse que esta é uma "tentativa (da Rússia) de legalizar os resultados da limpeza étnica que os soldados russos estão continuando a cometer (...) e que foi cometida durante vários anos".

Mais cedo, o presidente russo, por sua vez, havia dito em entrevista à BBC que a Rússia foi obrigada a agir por causa do "genocídio" de separatistas promovido pela Geórgia.

Medvedev afirmou ainda que Moscou se sentiu obrigada a reconhecer a independência da Ossétia do Sul e da Abecásia assim como outros países fizeram em relação a Kosovo em meados deste ano.

Moscou acusa as autoridades georgianas de violência contra as populações da Ossétia do Sul e da Abecásia e apóia os rebeldes, comparando a situação à da ex-província de Kosovo, que se separou da Sérvia com o apoio dos Estados Unidos e de grande parte da União Européia.

O líder russo disse que as relações de seu país com o Ocidente estão se deteriorando muito e uma nova Guerra Fria não pode ser descartada, mas que a Rússia não quer que ela ocorra.

"Não há vitoriosos em uma Guerra Fria", disse Medvedev em entrevista exclusiva à repórter da BBC, Bridget Kendall, na cidade russa de Sochi.

Agradecimento

As autoridades separatistas na Abecásia e Ossétia do Sul, que têm gozado de independência, na prática, desde meados da década de 90, agradeceram à Rússia o reconhecimento dado nesta terça-feira.

Os combates entre Rússia e Geórgia começaram no dia 7 de agosto, depois que militares georgianos tentaram retomar a Ossétia do Sul.

Tropas russas lançaram um contra-ataque e o conflito terminou com a expulsão de soldados georgianos das duas regiões separatistas e um cessar-fogo mediado pela União Européia.

'Vontade dos povos'

Em pronunciamento na TV russa, o presidente Medvedev disse que assinou um decreto reconhecendo a Abecásia e a Ossétia do Sul como Estados independentes e pediu a outros Estados que sigam o seu exemplo.

Medvedev disse que levou em conta "a expressão da vontade dos povos" das duas regiões e acusou a Geórgia de ter deixado passar muitos anos sem ter negociado uma solução pacífica.

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