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Jogos de Pequim mudam geografia do esporte até 2012 | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A Olimpíada dos recordes de Michael Phelps, Usain Bolt e Yelena Isinbayeva também fica marcada por uma novidade: o quadro geral de medalhas aponta mudanças significativas na geografia do esporte, pelo menos até 2012. A maior e mais alardeada delas foi o desempenho da China, que desbancou os Estados Unidos do topo pela primeira vez desde 1992. Em Barcelona, países que ganharam a independência depois do colapso da antiga União Soviética competiram com uma delegação em comum, a Comunidade dos Estados Independentes, e superaram os americanos. Se ainda competissem sob a mesma bandeira, as ex-repúblicas soviéticas também teriam ficado à frente dos Estados Unidos em Pequim, com 43 medalhas de ouro contra 36 dos americanos. Mas, assim como a geografia do esporte, a política internacional sofreu mudanças dramáticas nas últimas décadas e, hoje, a Rússia enfrenta forte oposição em boa parte de seus vizinhos. Mais países A partir de Atlanta-1996, o fim da antiga União Soviética fez multiplicar o número de países que sentem o gosto de uma medalha olímpica. Embora essas mudanças não sejam mais novidade, o fenômeno de cada vez mais países conseguirem pelo menos uma medalha se intensificou em Pequim. Na China, foram 87 países no quadro de medalhas - quatro anos antes, em Atenas, o total chegou a apenas 74. "Cada vez mais países estão participando", afirmou Marcus Vinícius Freire, chefe da missão brasileira em Pequim. "A antiga União Soviética é um exemplo." "Hoje, temos 13 países da ex-União Soviética que ganharam ao menos uma medalha", acrescentou Marcus Vinícius. "Em várias provas individuais, os ex-soviéticos dominaram o pódio, aumentando a competição." Sobe e desce O tradicional sobe e desce no quadro de medalhas das Olimpíadas também apontou duas variações significativas que devem ser acompanhadas de perto em 2012: a ascensão britânica e uma forte queda de Cuba. Em Atenas, a Grã-Bretanha ficou apenas em décimo lugar, com nove medalhas de ouro. Agora, em Pequim, os britânicos pularam para o quarto lugar, com um salto para 19 ouros. Nos próximos Jogos Olímpicos, em Londres, os britânicos estarão em casa e provavelmente terão de lidar com a pressão pela expectativa de um desempenho, no mínimo, semelhante. Já Cuba convive com uma trajetória de queda desde 1992, mas nada parecido com o que aconteceu em Pequim. De 2004 para 2008, os cubanos caíram de nove medalhas de ouro para apenas duas - e despencaram do 11º lugar no quadro de medalhas para a 28ª posição. Nem mesmo o boxe, tradicional fonte de medalhas para Cuba, se salvou: o país só conseguiu pratas e bronzes (quatro de cada) e ficou sem nenhum ouro na modalidade. Astros e musas Em meio aos números do quadro de medalhas, os Jogos Olímpicos de Pequim serão lembrados pelos incríveis recordes alcançados por três ascendentes fenômenos do esporte. O nadador americano Michael Phelps realizou a façanha de conquistar oito ouros em uma única Olimpíada e se tornou o maior vencedor da história dos Jogos Olímpicos. O jamaicano Usain Bolt se consolidou como o homem mais rápido do mundo e causou admiração ao conseguir três medalhas de ouro com três recordes mundiais: nos 100m e nos 200m rasos e no revezamento 4x100m - nesta última prova, com a colaboração de Asafa Powell, Nesta Carter e Michael Frater. Por fim, a russa Yelena Isinbayeva, depois de garantir o ouro no salto com vara, quebrou o recorde mundial da prova pela terceira vez neste ano ao saltar 5,05 metros. Além de se juntar a Bolt e Phelps como destaque da Olimpíada, Isinbayeva também conquistou com simpatia e beleza o status de musa dos Jogos Olímpicos. |
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