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Atualizado às: 07 de agosto, 2008 - 10h28 GMT (07h28 Brasília)
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Oposição protesta contra decisão de barrar candidatos na Venezuela
O prefeito de Chacao, Leopoldo López, lidera protesto contra a decisão
Leopoldo López liderou protesto contra a decisão do TSJ
Opositores do presidente venezuelano, Hugo Chávez, protestaram contra o que chamaram de "atropelo" à democracia feito pela maior autoridade judiciária do país, que decidiu barrar a participação de 272 políticos, entre eles lideres da oposição, nas eleições regionais que ocorrem dentro de quatro meses.

Líderes dos partidos contrários à Chávez acusam o Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) de agir politicamente ao inabilitar candidatos chavistas e opositores com a "ficha suja", acusados de participar de corrupção durante o exercício de cargos públicos, ainda que não tenham sido condenados.

Na quarta-feira, um dos mais proeminentes inabilitados, o prefeito do distrito de Chacao, Leopoldo López, liderou uma manifestação para "expressar sua frustração" com a decisão dos magistrados, tomada a pedido do controlador da República, Clodosvaldo Russián.

“Ontem se materializou uma decisão contra o povo. Uma decisão por medo, uma decisão covarde. O senhor, presidente, tomou uma decisão de querer evitar a mudança. Eles têm medo do povo, o senhor, presidente se escondeu detrás do Tribunal, da Assembléia, da Defensoria, da promotoria”, discursou López.

O prefeito acrescentou que
"Hoje lamentavelmente fomos objeto de atropelo por parte do Estado venezuelano e estamos na rua exercendo nosso direito ao protesto saudável, a expressar a frustração, a raiva que sentimos pelo que foi uma decisão lamentável do TSJ", disse, em declarações reproduzidas pela rádio Unión.

A manifestação também envolveu movimentos de estudantes contrários a Chávez. Um dos líderes, Yon Goicoechea, disse ao diário El Nacional que "os inabilitados estão sofrendo violações de direitos humanos". Ele pediu a participação da oposição no governo.

"Ou abrem as portas para uma nova Venezuela e para uma nova liderança, ou a nova Venezuela e a nova liderança derrubará e fechará as portas para o governo", afirmou.

A oposição promete uma nova marcha para o sábado.

Insatisfação

Embora pouco numeroso, o protesto pega carona na insatisfação gerada na oposição pela aprovação de 26 leis pelo Executivo através de um mecanismo de "fast track", outorgado a Chávez em janeiro do ano passado, permitindo-o legislar sem a aprovação da Assembléia por um ano e meio.

Também na quarta-feira, Julio Borges, coordenador nacional do partido Primero Justicia, o mesmo de Leopoldo López, acusou Chávez de "buscar seus interesses pessoais" ao aprovar o pacote de leis que, segundo críticos, retoma grande parte das propostas rejeitadas em referendo no dia 2 de dezembro do ano passado.

"Ficam muito claras as intenções do chefe de Estado de enfiar-nos goela abaixo um socialismo intravenoso que não tem nenhum fundamento concreto além de lograr exercer mais poder sobre o povo venezuelano", afirmou, em entrevista coletiva a jornalistas.

O correspondente da BBC em Caracas James Ingham disse que a decisão do TSJ foi um golpe duro para a oposição que, neste ano, conseguiu superar parte de suas divergências internas e acredita ser capaz de avançar nas eleições de novembro.

A polêmica se desenrola em meio a uma visita da presidente da Comissão de Direitos Humanos do Parlamento do Mercosul, Adriana Peña Hernandez, a Caracas. A imprensa local diz que Peña Hernandez está no país para mediar os conflitos entre a oposição e o governo.

Entretanto, a agência oficial do governo bolivariano, ABN, veiculou na quarta-feira uma entrevista em que o presidente do Parlasur, Florisvaldo Fier, afirma que a parlamentar do Mercosul está na Venezuela "por sua própria conta".

"Adriana Peña não está representando o Parlasur nem a Comissão de Direitos Humanos, porque para isso necessita que a mesa diretora do Parlamento realize uma autorização que ela não possui", declarou, segundo a agência oficial venezuelana.

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