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Atualizado às: 01 de agosto, 2008 - 16h55 GMT (13h55 Brasília)
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Pequim coloca meio milhão de seguranças nas ruas

Policial em Pequim
Cerca de 400 mil voluntários vão ajudar os 100 mil seguranças
A China vai colocar nas ruas de Pequim mais de 500 mil homens para fazer a segurança durante os Jogos Olímpicos, que começam na próxima sexta-feira.

O governo do país investiu forte para garantir que a competição transcorra sem surpresas.

O forte esquema de vigilância conta com mais de 110 mil homens e 400 mil voluntários monitorando as ruas e o sistema de transporte público da capital.

No metrô, todas os pertences dos passageiros já são compulsoriamente verificados em máquinas de raio-x e não é possível entrar com garrafas plásticas contendo líquidos.

A cada dia seis mil seguranças têm circulado à paisana nos 18 mil ônibus da cidade. Eles prestam atenção aos passageiros, para identificar qualquer atitude suspeita e volumes abandonados.

Outros 30 mil seguranças se encarregam de monitorar os terminais e paradas de ônibus.

"O metrô parece um aeroporto tal o nível de segurança que tem lá. Mas os atendentes são simpáticos e te pedem com gentileza pra abrir a bolsa, só que no dia-a-dia isso cansa a paciência de quem mora aqui", disse à BBC Brasil a brasileira Tarsila Lemos Borges, que mora em Pequim.

Anéis de trânsito

Quem anda de carro também não está livre da inspeção.

 O metrô parece um aeroporto tal o nível de segurança que tem lá
Tarsila Lemos Borges, brasileira que mora em Pequim

As autoridades montaram três anéis ao redor do centro da capital e os veículos precisam passar sistematicamente por barreiras de identificação desde o dia 20 de julho.

Aqueles que não têm placa da capital só podem trafegar apresentando uma licença. Sem a permissão, o veículo é expulso da cidade.

A medida tem gerado engarrafamentos leves, causando espera média de 10 minutos em cada barreira.

"É um esforço sem precedentes para eliminar potenciais riscos de segurança a seu tempo", disse à imprensa estatal o diretor do sistema de segurança das Olimpíadas, Liu Shaowu.

'Big brother'

Além da vigilância no trânsito, a China também interligou numa central os sistemas de vídeo particular de condomínios, hotéis e prédios comerciais da cidade, criando uma espécie de "Big Brother".

Ainda foram instaladas 300 mil câmeras extras nas ruas para monitorar o que se passa nas áreas públicas.

Um esquadrão especial contra terrorismo foi montado e 400 mil voluntários ficarão de olho nas comunidades de cada bairro para identificar e notificar à polícia sinais de distúrbios políticos, protestos ou tentativas de atentados.

A população recebeu um manual antiterror, que explica como reagir em 39 possíveis cenários de risco que incluem explosão, tiroteio, seqüestro e até ataque nuclear e químico.

Para descartar a possibilidades de qualquer ação terrorista, nenhum avião sobrevoará a capital durante a realização da cerimônia de abertura dos Jogos, na próxima sexta-feira.

Censura e repressão

O governo chinês alega preocupação com segurança para censurar a internet. Nem mesmo os jornalistas estrangeiros têm acesso irrestrito à rede.

Policial em Pequim
Governo chinês é criticado por limitar demais a liberdade das pessoas

A decisão do governo gerou críticas de organizações de direitos humanos.

"Não existe legitimidade no argumento do governo de que é necessário garantir a segurança a custo da liberdade. Isso é inconcebível", disse à BBC Brasil a porta-voz da Anistia Internacional, Josefina Salomon.

A ONG acusa o governo de desrespeitar os direitos humanos ao censurar e reprimir dissidentes.

O governo chinês teria "limpado" das ruas de Pequim ativistas "indesejáveis", mantendo-os sob prisão domiciliar ou em detenção sem julgamento em campos de trabalho forçado.

A preocupação com a vigilância é tanta que até mesmo simples turistas estariam no alvo de censura chinesa.

Na semana passada o senador norte-americano Sam Brownback disse ter recebido documentos de redes estrangeiras de hotéis operando em Pequim que comprovam que o partido comunista emitiu a ordem de instalar software de espionagem nos computadores dos estabelecimentos, para monitorar o acesso à internet feito pelos hóspedes.

Os hotéis que se recusassem a acatar a diretriz poderiam ter a licença comercial caçada além de ter de pagar uma multa de US$ 2.197, alegou o senador.

Protestos vetados

De acordo com o comitê organizador dos Jogos, por uma questão de segurança não será possível protestar nas áreas das competições ou nas ruas da cidade.

A prefeitura determinou que manifestantes se expressem somente dentro dos parques Zizhuyuan, Ritan e World Park, que ficam no noroeste, leste e sudoeste da cidade.

Entretanto, antes de organizar uma manifestação os ativistas precisam encaminhar com cinco dias de antecedência um pedido de licença à polícia.

As áreas não são imediatamente próximas aos lugares mais visados e muitas organizações não-governamentais reclamaram que a burocratização dos protestos é manobra injusta e de censura.

O governo diz que essas medidas foram impostas por questões de segurança.

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