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Atualizado às: 30 de julho, 2008 - 19h27 GMT (16h27 Brasília)
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Cientista usa abelhas para tentar entender assassinos

Abelha com etiqueta (foto Nigel Raine)
As abelhas do estudo foram identificadas com números
Uma pesquisa da Universidade de Londres sugere que a forma como abelhas procuram por alimentos pode ajudar detetives a caçarem assassinos em série.

Segundo os estudiosos, da mesma forma que as abelhas procuram alimento a certa distância de suas colméias, assassinos evitam cometer crimes perto de suas casas.

A análise dos pesquisadores descreve como as abelhas criam uma "zona de proteção" em volta das colméias, onde elas não buscam alimentos, para reduzir o risco de predadores e parasitas localizarem a colméia.

Os pesquisadores descobriram que este padrão de comportamento é parecido com o perfil geográfico de criminosos perseguindo suas vítimas.

"A maioria dos assassinatos ocorrem perto da casa do assassino, mas não na área que cerca diretamente a casa do criminoso, onde os crimes têm menos probabilidade de serem cometidos devido ao temor de ser flagrado por alguém conhecido", explicou Nigel Raine, que participou da pesquisa.

Conservação

Segundo os cientistas, a elaboração de "perfis geográficos" funcionou tão bem em abelhas que experiências futuras, com animais, poderão ser relatadas para melhorar a resolução de crimes.

O cientista Nigel Raine está trabalhando com colegas Steve Le Comber e Kim Rossmo, ex-detetive dos Estados Unidos, para etiquetar abelhas com minúsculos números coloridos, colados nas costas do inseto.

A equipe usa também minúsculas etiquetas de Identificação por Freqüência de Rádio - a mesma tecnologia usada para rastrear estoques em armazéns ou supermercados - para monitorar o movimento das abelhas. A partir daí eles seguem as abelhas das colméias até as flores.

A compreensão dos perfis geográficos dos animais também ajuda os biólogos a prever os locais onde estes animais e insetos poderão encontrar alimento. Sabendo onde estão esses locais, medidas de conservação são mais eficazes.

Este método de estudo funciona bem para várias criaturas diferentes, de abelhas e morcegos até grandes tubarões brancos.

Cena do crime

Segundo os pesquisadores, os modelos usados para descrever a forma como as abelhas procuram alimentos podem ser aplicados em humanos.

Ao invés de usar informações a respeito de distribuição de flores visitadas por abelhas para explicar o comportamento de inseto, o modelo de criminologistas vai usar detalhes sobre cenas de crimes, locais onde ocorreram roubos, carros abandonados, até cadáveres encontrados, para aperfeiçoar a busca por um suspeito.

"Abelhas têm o cérebro bem mais simples, então, entender como as abelhas são recrutadas para as flores é mais fácil do que entender os pensamentos complexos de um assassino em série", disse Raine.

Mas os cientistas afirmam que a compreensão da polinização também é importante para a alimentação dos humanos.

"Os 'serviços' de polinização das abelhas é responsável por um em cada três bocados de alimentos que consumimos. Elas polinizam uma enorme diversidade de nossas lavouras de frutas e vegetais", afirmou Raine.

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