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Atualizado às: 09 de julho, 2008 - 20h18 GMT (17h18 Brasília)
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Empresas a estudam trocar China por Vietnã

Vietnamita trabalha em linha de produção da Nike, em Ho Chi Minh City (ex-Saigon) foto arquivo
Custos e diluição de riscos estão entre motivos para migração
Seguindo uma tendência observada nas empresas européias e americanas, alguns investidores brasileiros estão migrando parte de seus negócios da China para o Vietnã.

"Começamos a lidar com o Vietnã recentemente e já estamos com 10% dos nossos negócios de têxteis lá", conta Paulo Farkas Bitelman da trading Comexport.

Bitelman acredita que o Vietnã tem potencial e espera ver as operações de sua empresa crescerem no país, porém credita que ainda existem dificuldades práticas que precisam ser contornadas.

"É complicado por vezes conseguir fazer a matéria prima chegar ao Vietnã. Na China isso já está bem mais agilizado", conta.

Custos e risco

Os custos mais baratos de manufatura e a intenção de diluir os riscos estão os principais atrativos para empresários que vislumbram a alternativa.

Os setores calçadista e têxtil são os que mais observaram esse tipo de mudança, com a instalação principalmente de fábricas americanas e européias no Vietnã.

Um estudo divulgado em março, a Câmara de Comércio Americana de Xangai, a AmCham, apontou que 88% das empresas estrangeiras sondadas optaram inicialmente por operar na China por causa dos baixos custos, porém, 63% dessas afirmaram que se mudariam ao Vietnã para cortar ainda mais o preço de produção.

"Acho que a maioria das empresas opta por ir para o Vietnã por causa do risco", avalia Paulo Wolff, coordenador do escritório da Azaléia na China.

Segundo Wolff, já existem muitas barreiras comerciais contra sapatos fabricados na China e a mudança ao Vietnã é uma forma de contornar essa limitação.

"Para as empresas americanas, por exemplo, vale muito à pena, pois elas vendem ao México e lá os calçados chineses chegam a ser sobretaxados em mais de 1000%", afirma.

A Azaléia compra alguns calçados do Vietnã, mas, segundo Wolff, a China ainda é a principal fornecedora.

Segundo os empresários, tem sido cada vez mais comum a chamada estratégia "China +1". A idéia é diluir o risco de concentrar todos os investimentos na Ásia em um único país.

Além da diluição de riscos, outro motivo por trás da busca de alternativas é o aumento de custos no território chinês.

A moeda chinesa, o iuan, vem se valorizando recentemente e somente em 2008 subiu 5,5% frente ao dólar. Além disso, uma nova lei trabalhista que entrou em vigor em janeiro encareceu salários e dificultou o processo de demissão.

Do ponto de vista brasileiro, porém, o movimento está em fase inicial.

O comércio entre Brasil e Vietnã ainda é muito baixo, embora esteja em crescimento. Entre 2003 e 2007 o comércio bilateral aumentou em 652% - em 2007 as trocas alcançaram US$ 306,9 milhões, dos quais US$ 207,3 milhões foram exportações e US$ 99,6 milhões importações.

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