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ONU diz que eleição livre no Zimbábue é 'impossível' | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O Conselho de Segurança da ONU condenou por unanimidade a violência e a intimidação contra o principal partido de oposição do Zimbábue, o Movimento para a Mudança Democrática (MDC, na sigla em inglês). Em uma declaração divulgada nesta segunda-feira, o Conselho de Segurança disse que a violência torna "impossível" uma votação livre e justa no segundo turno da eleição presidencial no país africano, marcado para o dia 27. "O Conselho de Segurança da ONU condena a campanha de violência contra a oposição política", diz o documento. A reunião do Conselho de Segurança ocorreu depois que o líder da oposição e candidato à Presidência pelo MDC, Morgan Tsvangirai, retirou sua candidatura no segundo turno e buscou refúgio na embaixada da Holanda em Harare, capital do Zimbábue. Tsvangirai anunciou a sua retirada da disputa no domingo, dizendo que não há sentido em concorrer em eleições que não serão livres e justas e que “o resultado já está determinado” pelo seu adversário, o presidente Robert Mugabe. Segundo o MDC, a decisão de Tsvangirai foi tomada depois de pelo menos 70 simpatizantes do partido terem sido mortos durante a campanha. Nesta segunda-feira, 60 partidários do MDC foram presos no comitê central do partido, em Harare. Antes da reunião do Conselho de Segurança, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, já havia dito que o segundo turno da eleição deveria ser adiado. "Não há condições para eleições livres e justas neste momento no Zimbábue. Houve muita violência, muita intimidação", disse Ban. No entanto, o embaixador do Zimbábue na ONU, Boniface Chidyausiku, afirmou que o segundo turno será realizado conforme planejado. Críticas Segundo o documento do Conselho de Segurança, a campanha de violência no Zimbábue "resultou na morte de vários ativistas de oposição e outros zimbabuanos", além de fazer com que "milhares de pessoas, incluindo mulheres e crianças" tivessem de abandonar suas casas. Em seu comunicado, o Conselho de Segurança pediu que o governo do Zimbábue pare com a intimidação e liberte os líderes de oposição que foram presos. Esta é a primeira vez que África do Sul, Rússia e China, que fazem parte do Conselho de Segurança, integrado por 15 países, criticam o governo de Robert Mugabe. A situação no Zimbábue vem provocando a reação de diversos países. O presidente Mugabe rejeita as críticas. Ele acusa a Grã-Bretanha e seus aliados de mentir sobre o Zimbábue para justificar uma intevernção no país. Ao anunciar sua retirada da disputa presidencial, Tsvangirai pediu que a comunidade internacional intervenha no Zimbábue para “prevenir um genocídio”. Tsvangirai foi o mais votado no primeiro turno das eleições, com cerca de 48%, enquanto Mugabe obteve cerca de 43%. O número de votos, porém, não foi suficiente para que ele vencesse no primeiro turno. 'Fora de controle' O partido de governo da África do Sul, o Conselho Nacional Africano (ANC), afirmou que está "profundamente consternado pelas ações do governo do Zimbábue, que está pisoteando os direitos democráticos conseguidos com tanto sacrifício". O partido sul-africano se refere a "provas convincentes de violência, intimidação e terror". Segundo o correspondente da BBC em Johanesburgo Peter Biles este foi o comentário mais forte feito pelo ANC em relação à situação do Zimbábue. E, durante uma conferência na cidade de Sandton, o líder do ANC, Jacob Zuma, criticou o partido do governo, o Zanu-PF. "Estamos juntos com o Zanu-PF por muitos anos, mas, certamente, não podemos concordar com que o Zanu-PF está fazendo neste momento. Creio que (a situação) está fora de controle", disse. Segundo Biles, esta declaração da África do Sul, o país mais poderoso da região, é mais um sinal do crescente isolamento do presidente Robert Mugabe. |
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