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Atualizado às: 20 de junho, 2008 - 16h51 GMT (13h51 Brasília)
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Novo satélite detalhará oceanos com precisão de centímetros

Parag Vaze( 2º, à dir.), da Nasa, Eric Thouvenot (centro) do CNES, a agência espacial da França, Mike Mignogno (2º, dir.) da NOAA, dos EUA, and Mikael Rattenborg da EUMETSAT
Cientistas dos EUA e da França acompanharam lançamento
Um satélite lançado nesta sexta-feira na Califórnia em uma iniciativa das agências espaciais dos Estados Unidos e da França (Nasa e CNES) vai estudar os oceanos do planeta, fazendo leituras com precisão maior do que quatro centímetros.

O satélite Jason-2 analisará não apenas o aumento no nível dos mares, mas também vai revelar como grandes massas de água estão se movimentando pelo planeta.

A informação será fundamental para ajudar as agências meteorológicas a fazer melhores previsões do tempo.

O Jason-2 vai fornecer um mapa topográfico de 95% das partes livres de gelo dos oceanos da Terra a cada dez dias.

Motor do clima

Apesar de todos pensarem que os oceanos são planos, eles são marcados por "colinas" e "vales". A elevação é um parâmetro importante para oceanógrafos - a altura do oceano pode dar detalhes do comportamento do fundo das águas.

Os dados dão pistas para a temperatura e a salinidade. Quando combinadas com informações sobre a gravidade, também podem indicar a direção das correntes e a velocidade.

Os oceanos guardam grandes quantidades de calor do Sol e, como os mares movem energia pelo planeta e interagem com a atmosfera, também são o motor do sistema climático do planeta.

"O oceano constitui a memória de longo prazo do sistema climático, a escala de tempo na qual o oceano está mudando é a escala de tempo climática", afirma Mikael Rattenborg, diretor de operações da Eumetsat, organização européia dedicada ao estudo do clima a partir da órbita terrestre.

"Para compreender o clima, para prever a evolução da atmosfera nos próximos meses, anos e até décadas, é preciso entender o oceano", acrescentou.

Precisão

O satélite Jason-2 dá continuidade a um programa que começou em 1992 com a missão Topex/Poseidon. Até agora, o programa usava o satélite Jason-1, lançado em 2001.

O projeto registra dados globais para medir a altura dos oceanos via satélite. Apesar de outras espaçonaves conseguirem dados semelhantes, nenhuma delas consegue alcançar a precisão de Jason-1 e nenhuma conseguirá alcançar a precisão de Jason-2.

François Parisot, chefe de projeto do Jason-2 na Eumetsat, diz que a agência espera conseguir análises melhores mais próximas à costa e nas proximidades de rios.

"Não é uma revolução entre o Jason-1 e o Jason-2", afirmou. "É uma evolução, pois o principal objetivo é garantir a continuidade."

No coração da nova missão está o Poseidon 3, um altímetro que emite pulsos de microondas a partir da superfície do mar, constantemente. Ao cronometrar em quanto tempo o sinal faz a viagem de volta, o instrumento poderá determinar a altura da superfície do mar.

Tempestades

Segundo François Parisot, outra vantagem do Jason-2 é o fornecimento de informações em tempo real, disponíveis dentro de três horas a partir da coleta das medidas.

Isso será muito útil para prever tempestades. As informações vão ajudar meteorologistas a afirmar como uma tempestade pode ficar mais intensa e permitir alertas mais precisos.

As informações do Jason-2 também poderão fornecer informações que vão ajudar vários setores industriais a decidir quando as condições serão melhores para perfurações no fundo do mar ou para a colocação de cabos submarinos.

O satélite também poderá ajudar na navegação marítima.

"Agora que o preço de combustível está subindo, as companhias administradoras de navios querem economizar", diz Philippe Escudier, oceanógrafo espacial da CLS (Collecte Localisation Satellites), em Tolouse, na França.

"Com informações a respeito das correntes (marítimas), é possível escolher a rota para ir mais rápido e economizar até 5% de combustível", acrescenta Escudier.

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