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Atualizado às: 19 de junho, 2008 - 09h55 GMT (06h55 Brasília)
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Brasil começa a se comportar como um país sério, diz editor da Economist
O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva. Foto: AP
O pragmatismo econômico de Lula reforça o crescimento
Em um artigo publicado na edição desta quinta-feira do jornal espanhol El Pais, o editor para as Américas da revista britânica The Economist, Michael Reid, afirma que o Brasil "está começando a se comportar como um país sério".

Intitulado "Já é amanhã no Brasil", o texto comenta a política econômica do país nos últimos 15 anos e afirma que o progresso brasileiro foi baseado em "consensos democráticos, investimento privado e controle da inflação".

"O crescimento brasileiro, ao contrário do venezuelano, se baseia mais no investimento privado do que no gasto público. Diferentemente da Argentina, o Brasil não está permitindo que a inflação ponha em risco a estabilidade econômica", diz Reid em seu artigo.

De acordo com o jornalista, esse "progresso" teria começado no início da década de 90 com a implementação do Plano Real, que marcou o início da abertura econômica no Brasil, antes dominada pelo Estado. Segundo ele, o plano teria "finalmente dominado a inflação".

Pontos positivos

Reid afirma ainda que, "para a surpresa de alguns", Lula resolveu dar continuidade aos êxitos de Fernando Henrique Cardoso no campo econômico e cita como exemplo a concessão de independência dada pelo presidente ao Banco Central.

O jornalista comenta ainda um discurso de Lula durante uma conferência da revista The Economist em Brasília, onde ele afirmou que sua fórmula política consistia em ser “conservador na economia e audaz na política social”.

“É uma fórmula que tem rendido frutos”, diz o artigo. Segundo o texto, os benefícios dessa fórmula poderiam ser observados pelo crescimento econômico de 5,5% registrado no ano passado, pelo fortalecimento das reservas e das contas públicas e pelo investimento estrangeiro, “que alcança níveis sem precedentes.”

Além da política econômica adotada pelo governo, o artigo ressalta ainda que o país está se beneficiando da alta dos preços das matérias-primas, especialmente do ferro e da soja. No entanto, argumenta o jornalista, o aumento no valor das exportações só foi possível graças à eliminação das barreiras tarifárias, que tornou a indústria brasileira mais competitiva.

O artigo cita também a possibilidade de o Brasil se tornar uma superpotência energética, graças ao etanol de cana-de-açúcar, que seria outro fator para o crescimento econômico.

Para reforçar o argumento de que o país estaria se comportando com mais seriedade, o editor afirma que "a democracia do país trouxe benefícios sociais e econômicos", citando mais uma vez a influência de FHC nas políticas de Lula, como a ampliação do programa social Bolsa Família.

"Essas iniciativas, combinadas com uma inflação baixa e um rápido crescimento, reduziram os índices de pobreza do país, que caiu de 48% em 1990 para 33% em 2006", diz o texto.

Problemas

Apesar de destacar o progresso brasileiro e as iniciativas do governo nas áreas da política social e econômica, o jornalista afirma que ainda existem muito problemas “arraigados” ao país.

Entre os principais citados por Michael Reid em seu artigo, estariam a violência, a lentidão e ineficácia do sistema judiciário, a legislação trabalhista e a carga fiscal – que representa 36% do PIB.

"O pior é que o sistema político dificulta a mobilidade das maiorias para impulsionar mudanças", diz o artigo. O jornalista afirma que, apesar de Lula falar em reformas fiscais, políticas e trabalhistas, o presidente fez pouco para levar essas mudanças adiante.

"Para muitos economistas, ele deveria ter utilizado os recursos gerados pela exportação das matérias-primas para reduzir com mais afinco tanto a dívida pública como os impostos", afirma Reid.

O artigo critica ainda a política externa do Brasil. De acordo com o texto, apesar de ter se tornado uma grande potência diplomática comercial, o país divide com os Estados Unidos o fracasso das negociações da Rodada de Doha.

Segundo Reid, Lula mudou sua postura com relação à América do Sul no segundo mandato como presidente.

Enquanto no primeiro, sua política externa sul-americana foi "bastante ingênua", com o incentivo do governo para a entrada da Venezuela no Mercosul, no segundo mandato Lula se mostrou mais “pragmático”.

"Muitos democratas latino-americanos gostariam que o Brasil apoiasse com mais firmeza a atribulada democracia colombiana", diz o texto.

Ao fazer um balanço entre os problemas e sucessos do governo brasileiro em diversas áreas, o artigo conclui afirmando que "com seus vários defeitos, em muitos sentidos, o Brasil está começando a se comportar como um país sério".

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