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Atualizado às: 17 de junho, 2008 - 11h11 GMT (08h11 Brasília)
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Número de refugiados atinge recorde, diz ONU
Refugiados iraquianos em Damasco
O Iraque é 2º principal país de origem dos refugiados
O número de refugiados cresceu pelo segundo ano consecutivo e bateu um recorde em 2007, revertendo uma tendência de queda que vinha sendo observada por cinco anos até 2005, revela um relatório das Nações Unidas divulgado nesta terça-feira.

Em 2007, o número de refugiados totalizou 37,4 milhões, dos quais 11,4 milhões estariam fora de seus países e 26 milhões seriam refugiados internos, afirmou o levantamento anual da agência das ONU para os refugiados (Acnur), com estatísticas de mais de 150 países.

O documento ressalta que o número de refugiados aumentou de 9,9 milhões para 11,4 milhões entre 2006 e 2007, enquanto o número de refugiados internos cresceu em 1,6 milhão no mesmo período.

Segundo a agência, o cenário atual apresenta uma série de fatores que contribuíram para o aumento no número de refugiados e podem causar ainda mais deslocamentos forçados.

"Enfrentamos uma combinação global de desafios que ameaçam causar ainda mais deslocamentos no futuro", afirmou em Londres o comissário da Acnur, António Guterres, no lançamento das comemorações do Dia do Refugiado, celebrado em 20 de junho.

"[Os desafios] são diversos: emergências relacionadas a novos conflitos em algumas áreas, má governança, degradação ambiental relacionada ao clima que provoca um aumento na competição por recursos escassos e o aumento dos preços, que atingiu os mais pobres de maneira mais forte e que está gerando instabilidade em diversos locais", disse Guterres.

Nacionalidades

O relatório aponta que afegãos e iraquianos representam mais da metade dos refugiados em 2007. De acordo com o relatório, a situação no Iraque é uma das principais causas do aumento no número de refugiados observado pela agência.

O Afeganistão aparece, pelo segundo ano consecutivo, como o principal país de origem dos refugiados - cerca de 3 milhões, abrigados, principalmente no Paquistão e no Irã.

Os colombianos são a terceira nacionalidade com o maior número de refugiados, com cerca de 552 mil buscando refúgio fora do país. No entanto, o país tem cerca de 3 milhões de refugiados internos e figura em primeiro lugar nesta categoria, de acordo com o relatório divulgado pela ONU.

O Paquistão, por sua vez, continua sendo o principal destino dos refugiados, seguido da Síria, Irã, Alemanha e Jordânia.

Asilo

O levantamento da Acnur revela ainda um aumento de 5% no número de pedidos de asilo submetidos aos governos e escritórios da agência em 154 países no ano passado.

De acordo com o relatório, aproximadamente 647 mil pedidos de asilo foram registrados e o total representou o primeiro aumento em quatro anos.

Segundo o documento, esse crescimento se deve principalmente ao grande número de iraquianos pedindo asilo em países europeus.

Depois dos iraquianos, que submeteram cerca de 52 mil pedidos de asilo, o segundo país com maior número de pedidos foi a Somália, com 46 mil, Eritréia, com 36 mil e Colômbia, que registrou 23,2 mil pedidos.

O relatório ressalta ainda a preocupação com o alto índice de reconhecimento do direito de asilo em diversos países, mas destaca que a maioria dos refugiados se desloca para sua própria região e não para países industrializados.

Progresso

Apesar do aumento no número de refugiados, o relatório anual aponta que houve progresso em algumas áreas de atuação da agência da ONU.

"O objetivo da Acnur é encontrar soluções duradouras para os refugiados. Essas soluções incluem repatriação voluntária, integração nos países de asilo primário ou restabelecimento em um terceiro país", disse Guterres.

Segundo o documento, 731 mil refugiados voltaram para casa com o auxílio dos programas de repatriação voluntária em 2007, incluindo 374 mil afegãos.

Além disso, um número estimado de 2 milhões de refugiados internos também retornou para seu local de origem no mesmo ano.

Outro progresso citado pelo relatório é a redução em 3 milhões no número de pessoas consideradas sem cidadania. De acordo com o documento, isso se deve principalmente à nova legislação no Nepal, que reconheceu cidadania para cerca de 2,6 milhões de pessoas em 2007.

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