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Análise: Com fim de salário único, Cuba rompe com comunismo | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O governo de Cuba rompeu com um dos mais importantes princípios de seu sistema comunista ao anunciar, nesta quarta-feira, o prazo para a eliminação do igualitarismo salarial e a substituição do atual sistema por uma gestão na qual o pagamento será feito com base no rendimento e produtividade. O anúncio oficial, publicado no jornal Granma, afirma que os trabalhadores agora ganharão bônus ao alcançarem metas e não existirá mais o teto salarial. O conceito de pagamento igualitário está em vigor desde a revolução, em 1959. Desde que Raúl Castro assumiu oficialmente a presidência de Cuba, em fevereiro, ele introduziu gradualmente uma série de medidas econômicas que sugeriam que o igualitarismo não era mais um princípio sagrado no país. Com o anúncio da criação dos bônus e o fim do teto salarial, agora está mais claro do que nunca que a versão de comunismo de Raúl Castro aceita as desigualdades sociais - enquanto o desempenho no trabalho ou a produtividade puderem justificar esta desigualdade. Celular e computador As últimas medidas representam uma mudança no ritmo de políticas como a que permitiu a compra de telefones celulares e computadores em Cuba. Mas estão de acordo com as recentes reformas no setor agrícola, que englobam o aumento de preços para estimular a produção e permitiu que agricultores comprassem ferramentas e fertilizantes. Um dos objetivos principais desta reforma é melhorar a produção de alimentos básicos, que está em queda. Mesmo antes do aumento dos preços dos alimentos nos mercados mundiais, Cuba já estava gastando US$ 1,5 bilhão em importações de alimentos. Impacto Ainda não se sabe em quanto tempo será sentido o impacto destas medidas. Elas poderão aumentar a produtividade, mas, como a média salarial no país é de apenas US$ 20 por mês, espera-se que a mudança de política não aumente muito o poder de compra dos cubanos. Alguns analistas afirmam que estas medidas são apenas o começo de mudanças mais amplas na economia, que podem significar o fim do sistema de racionamento vigente no país. Parece que Raúl Castro está mesmo assumindo sua reputação de abandonar os princípios marxistas ortodoxos e adotando mudanças pragmáticas em Cuba. |
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