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Atualizado às: 26 de maio, 2008 - 12h54 GMT (09h54 Brasília)
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Escândalo de pedofilia vai a julgamento na Bélgica

Christiane Granziero, mãe de Stacy Lemmens (AP/Alain Sprimont)
Mãe de uma das meninas chega ao tribunal em Liège
Começa nesta segunda-feira, na Bélgica, o julgamento de um homem acusado de seqüestrar, estuprar e matar duas meninas, de sete e dez anos, em junho de 2006, em mais um caso de pedofilia que assustou o país.

O início do julgamento, na cidade de Liège, a 97 quilômetros de Bruxelas, coincide com a semana em que se espera a sentença de Michel Fourniret e sua esposa Monique Olivier.

O casal foi julgado na localidade francesa de Charleville-Mézières, próxima à fronteira com a Bélgica, pelo seqüestro, estupro e assassinato de sete jovens de entre 12 e 22 anos nos dois países.

Em 2006, quando os crimes que começam a ser julgados nesta semana ocorreram, a população belga ainda lutava contra a lembrança de Marc Dutroux, o mais infame pedófilo do país, que dez anos antes havia seqüestrado e estuprado seis garotas com idades entre oito e 19 anos, causando a morte de quatro delas.

Agora, o julgamento de Abdallah Ait Oud pelas mortes de duas meninas deve reviver o debate sobre o histórico de pedofilia no país.

Elementos 'assustadores'

Os corpos de Stacy Lemmens e Nathalie Mahy, que são meias-irmãs, foram encontrados três semanas após desaparecerem, a 400 metros do café diante do qual foram vistas por última vez, durante um festival de rua.

Abdallah Ait Oud, único suspeito, segue negando qualquer envolvimento no caso, mas sua defesa terá que enfrentar uma série de indícios técnicos, além de evidências apresentadas por testemunhas.

Ait Oud morava no mesmo bairro onde as meninas desapareceram e namorava uma garçonete do café onde elas foram vistas pela última vez.

Uma testemunha afirma tê-lo visto, na mesma hora do desaparecimento, próximo ao campo onde os corpos das vítimas foram encontrados.

Ao ser detido, o acusado apresentava escoriações no peito, braços e mãos, e fibras das roupas das meninas foram encontradas em suas roupas, inclusive nas peças íntimas.

Segundo Anne Bourguignont, a procuradora encarregada do caso, outros elementos "particularmente assustadores" pesam contra ele.

Ait Oud foi condenado previamente por pedofilia em duas ocasiões, em 1994 e 2001, o que levou os pais de Stacy e Nathalie, a questionarem o sistema judicial belga.

Um total de 93 testemunhas serão ouvidas no processo, cuja sentença deve sair no dia 10 de junho, exatamente dois anos após o desaparecimento das meninas. A acusação pede prisão perpétua.

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