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Para Lula, instabilidade sul-americana é 'sinal de vida' | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
No discurso de abertura da cúpula que criou, nesta sexta-feira, a União das Nações Sul-americanas (Unasul), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que a instabilidade regional é um sinal de vida. "A instabilidade que alguns pretendem ver em nosso continente é sinal de vida, especialmente de vida política. Não há democracia sem povo nas ruas, sem confronto de idéias", disse o presidente. A frase é uma referência indireta à tensão que vivem Equador, Colômbia e Venezuela por causa da ação do governo colombiano em território equatoriano, em março, para atacar guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Essa tensão é um dos grandes temas informais do encontro em Brasília. Flexibilidade O presidente brasileiro também fez referência à integração na área de defesa. "Devemos articular uma visão de defesa na região fundada em valores e princípios comuns, como respeito à soberania, à autodeterminação, à integridade territorial dos Estados e à não-intervenção em assuntos internos", afirmou Lula. O Brasil propõe a criação de um Conselho Sul-Americano de Defesa e quer criá-lo no âmbito da nossa organização. Antes da reunião presidencial, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, disse que devem participar da iniciativa apenas os países que estiverem confortáveis com as propostas. A Colômbia já afirmou que inicialmente não fará parte do conselho, caso ele seja mesmo criado. Uma das novidades do tratado assinado em Brasília é justamente o fato de que essa flexibilidade é possível. O documento, que estabelece as diretrizes básicas de funcionamento e objetivos da nova instituição, permite que uma ou mais nações fiquem de fora de uma ação em particular. Apesar disso, é preciso consenso de todos os membros para a criação de programas, instituições ou organizações ligadas a Unasul. Integração Antes do debate a portas fechadas, três presidentes fizeram discursos oficiais, Lula, Evo Morales (Bolívia) e Michelle Bachelet (Chile). Todos frisaram a necessidade de se avançar de forma concreta na integração, tanto do ponto de vista político como econômico. "Para que (a criação da Unasul) tenha um efeito real, precisamos avançar muito. E a capacidade da Unasul de beneficiar os nossos povos vai depender do compromisso e da real vontade dos governos de chegar a posições que nos permitam avançar nesse caminho", disse a líder chilena. Existem pelo menos cinco áreas prioritárias de trabalho para a nova organização: energia, infra-estrutura, financiamento, políticas sociais e educação. Dentre essas, a questão da integração energética e de infra-estrutura física são duas das áreas mais destacadas pelos governos regionais. Ironicamente, durante os discursos e a assinatura do tratado, acabou a luz do centro de convenções Ulisses Guimarães, onde ocorreu o evento em Brasília. O corte de luz gerou brincadeiras entre os presidentes e até o comentário do ministro das Relações Exteriores do Chile, Alejandro Foxley. "Como o corte de luz mostra precisamos integrar. A região tem excesso de energia, mas não conseguimos integrar", afirmou. O único presidente que falou com a imprensa durante o evento de assinatura do tratado foi o equatoriano Rafael Correa. Ele voltou a dizer que a situação entre o seu país e o governo da Colômbia é "deplorável" e que a tensão entre os dois países não foi dissipada. |
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