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Atualizado às: 22 de maio, 2008 - 08h27 GMT (05h27 Brasília)
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Dalai Lama diz que 'a China está mudando'
Dalai Lama
O líder defende um meio-termo na autonomia do Tibete
O líder espiritual budista Dalai Lama disse acreditar que a China está atravessando um período de mudanças que pode levar a uma atitude mais "transparente" com relação ao Tibete.

Em entrevista à BBC, nesta quinta-feira, o líder religioso citou a reação chinesa ao terremoto na província de Sichuan como um dos indícios da mudança.

Segundo o Dalai Lama, a transformação a que se refere estaria acontecendo através de um "contato mais amplo [da China] com o mundo exterior".

"Acho que isso é um sinal de que a República Popular da China está mudando, pelo menos de década em década. Espero que isso reflita em uma atitude mais transparente em outras questões, incluindo a do Tibete", disse.

Em uma viagem de 10 dias por Londres, o Dalai Lama afirmou que está "otimista" com relação ao futuro.

Meio-termo

Durante a entrevista, o líder budista ressaltou que defende um "meio-termo" para a autonomia do Tibete.

"A defesa e as relações exteriores deveriam ser de responsabilidade do governo central, mas o restante dos negócios – a educação, ambiente, o trabalho religioso – todos esses deveriam ser de responsabilidade dos tibetanos", afirmou.

O governo chinês acusa o Dalai Lama de estar por trás dos protestos anti-China que começaram no dia 10 de março em Lhasa, a principal cidade tibetana, e que terminaram em conflitos violentos.

O líder nega que tenha incitado as manifestações e reforça com freqüência que não busca a independência da China.

"Nós não queremos separação", disse o líder à BBC. Ele ressaltou ainda que permanecer unidos é do interesse da China e do Tibete.

"Em breve teremos que conversar com o governo chinês para que a discussão sobre a independência e a separação esteja fora de questão", afirmou.

Apesar da posição de aproximação, o Dalai Lama não nega que há oposição interna entre aqueles que pretendem seguir uma postura mais rígida com relação ao governo chinês. Segundo ele, as posições contrárias e a crítica são "bem-vindas".

No entanto, ele alerta que quanto mais as melhorias no Tibete demorarem a acontecer, maior será a frustração na província, o que tornaria ainda mais difícil controlar as posições contrárias a uma aproximação com a China.

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