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Faculdade argentina abre pós-graduação em Tango | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Uma faculdade da Argentina começa a oferecer, a partir do fim deste mês, um curso de pós-graduação sobre a dança que é um dos sinônimos da cultura do país, o tango. O curso da Faculdade Latino-americana de Ciências Sociais (Flacso) recebeu o título Tango: Genealogia, Política e História e se propõe a traçar um retrato da identidade argentina por meio das letras de tangos. Ele irá durar de maio a agosto, será ministrado pela internet e irá abordar três áreas de estudo: a genealogia política do tango, sua história musical e seu desenvolvimento visual por meio do cinema. Segundo os responsáveis pela iniciativa, o curso é o primeiro de pós-graduação sobre o estilo de música e dança da Argentina. Guia moral “O tango nasceu no fim do século 19, em plena gestação do Estado moderno argentino. Sua história conta, de outra maneira, o desenvolvimento dessas idéias e valores que representam uma forma de identidade cultural e política que, em muitos aspectos, permanece vigente”, diz a apresentação do curso. O coordenador acadêmico do projeto, Gustavo Varela, disse à BBC que o curso vai mostrar como o tango se desenvolveu “de maneira paralela à história argentina”. “Me interessa ver como as condições sociais, políticas e culturais da Argentina produziram a necessidade de um gênero como o tango”, explica ele. Segundo Varela, as letras de tango são particularmente interessantes como material acadêmico já que elas são “uma das poucas expressões de cultura popular com um forte sentido moral”. “O tango te dá conselhos, te diz como deve viver. Repetidamente, afirma o que é bom e o que é mal. Quais são os valores que devem ser seguidos. E isso tem uma raiz de caráter político”, afirma Varela. Ressurgimento O curso foi criado em um momento em que o tango vive um ressurgimento na Argentina. Segundo dados do governo de Buenos Aires, cerca de 15 mil estrangeiros chegam à cidade todos os anos para se dedicar especificamente a atividades relacionadas ao tango. Segundo a Flacso, já há interessados de vários países latino-americanos, entre eles o Brasil, a Colômbia e a Venezuela. Um dos inscritos, o sociólogo brasileiro Ronaldo Leal, de 52 anos, disse que seu interesse começou pelo lado sociológico, mas terminou como “um vício” pelo gênero. Ronaldo, que começou a dançar tango durante uma temporada de dois anos em Buenos Aires, em 2005, acredita que a música de Carlos Gardel o permitiu superar a crise existencial que ele atravessou ao completar 50 anos. “Psicologicamente, tenho uma dívida com o tango, e só vou poder pagá-la se dançá-lo um pouco melhor e entender mais sua história”, brincou. |
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