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Atualizado às: 19 de maio, 2008 - 19h18 GMT (16h18 Brasília)
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Líder religioso propõe bairros só para muçulmanos na Rússia
O líder muçulmano russo Nafigulla Ashirov, um dos presidentes do Conselho dos Muftis da Rússia, sugeriu nesta segunda-feira a construção de áreas residenciais separadas para muçulmanos.

Segundo Ashirov, estas áreas poderiam proteger os muçulmanos de ataques racistas.

"Vamos supor que os muçulmanos possam estabelecer uma companhia de investimentos e investir na construção de um grande complexo residencial", afirmou Ashirov à agência de notícias russa Interfax.

"Não apenas empresários muçulmanos iriam investir neste projeto, todas as pessoas sujeitas a ataques fascistas (poderiam investir)", acrescentou.

Metrô

Ashirov lembrou que em Moscou os membros de minorias étnicas precisam usar os transportes públicos para ir para casa e, por isso, "no momento, o metrô freqüentemente se transforma no local destes crimes".

O líder muçulmano afirmou que os grandes complexos residenciais teriam segurança e também sua própria infra-estrutura, como lojas e escolas.

"Aqueles que não se sentem seguros e protegidos seriam capazes de investir juntos na construção destes complexos", afirmou. "Tártaros, uzbeques, chechenos, judeus e ciganos também poderiam viver lá."

O presidente do Centro de Coordenação de Muçulmanos do Norte do Cáucaso, Ismail Berdiyev, afirmou que a idéia de Ashirov está "fadada ao fracasso".

"A Rússia não é e nunca será um país em que muçulmanos vivem em isolamento total do resto da sociedade", disse.

"A força espiritual e a força do povo russo vêm justamente do fato de que não podemos ser divididos em blocos e reservas."

Ponto de vista

Segundo o vice-chefe do Departamento Espiritual Central dos Muçulmanos, Albir Krganov, "a opinião do co-presidente do Conselho dos Muftis não reflete o ponto de vista de muçulmanos russos razoáveis".

"O papel dos clérigos é exatamente levar a mensagem aos fiéis ao invés de dividir a sociedade em termos de religião ou de acordo com algum outro critério", afirmou.

Em outubro de 2005, Ashirov pediu que os muçulmanos russos revissem a atitude em relação ao passaporte do país, devido aos símbolos nacionais no documento, "símbolos cristãos ortodoxos".

Na época, a liderança do Conselho dos Muftis afirmou que a atitude de Ashirov refletia apenas seu ponto de vista pessoal.

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