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Conflito protege e causa danos à selva na Colômbia | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O conflito colombiano, que inflige danos ao país, está paradoxalmente protegendo os 447 mil km² de território amazônico dentro da Colômbia contra ameaças, maiores, de migrações e ambiciosos projetos econômicos. "O conflito evita que as pessoas venham (para a Amazônia)", disse à BBC o diretor do braço colombiano da entidade ambientalista Tropenbos Internacional, Carlos Rodríguez. "Quem vai querer entrar na selva no meio da guerra?" Entretanto, na selva ocorrem freqüentes enfrentamentos entre o Exército colombiano e a guerrilha, além de ser onde se localizam 35% das plantações colombianas de coca, que cobrem 90 mil hectares. De um lado, os laboratórios que processam a cocaína na selva utilizam químicos que poluem as fontes de água. De outro, o governo colombiano lança sobre as plantações de coca o herbicida glifosato, que não apenas mata a coca, mas também a flora. Nem mesmo parques nacionais, como La Macarena, escapam da fumigação aérea de glifosato. A medida apenas faz com que as plantações mudem de local, o que ocasiona desmatamento não apenas na Amazônia, mas no resto do país. Desmatamento Estima-se que a cada ano cerca de 2 mil km² de Amazônia Colombiana estejam sujeitas ao desmatamento, embora isto não se deva apenas às plantações de coca. Outro fator é a atividade madeireira. Segundo Darío Fajardo, diretor do instituto estatal de estudos amazônicos, Sinchi, as conseqüências mais visíveis do desmatamento na região é a proliferação das áreas de pastagem na Amazônia.
A zona contém 61% dos recursos naturais madeireiros da Colômbia, nos quais a extração de madeira para construção é dificultada pela falta de estradas. Carlos Rodríguez disse à BBC que a Colômbia desenvolveu uma "política progressista para a conservação da floresta tropical" dentro da região amazônica, que, apesar de problemas em sua aplicação, tem protegido a selva. Entretanto, Darío Fajardo diz que descobertas mostram que a madeira é extraída no Peru com licenças especiais emitidas na Colômbia e então contrabandeada e processada na Colômbia. Para Rodríguez, em relação a outros fenômenos, como a mudança climática, e comparado com outros países amazônicos, como o Brasil, a zona colombiana está em uma boa situação. "Enquanto no Brasil chove menos, na Colômbia chove mais, e isso permite a melhor conservação dos ecossistemas", afirma. Segundo o instituto Sinchi, estão catalogadas na Amazônia 674 espécies de aves, 1.965 espécies de répteis, 2.121 espécies de mamíferos e 753 espécies de peixes. Desse universo, umas 79 estão ameaçadas. Urbanização Para Fajardo, não há dúvida de que a principal ameaça contra a Amazônia é o aumento da densidade demográfica e a urbanização. Cerca de 1 milhão de habitantes vivem na região amazônica colombiana, um terço do território do país. A Colômbia tem 42 milhões de habitantes. "Há uma pressão crescente de povoamento da Amazônia, aonde estão chegando populações deslocadas (pelo conflito) de outras zonas do país", adverte Fajardo. Segundo o instituto Sinchi, o fenômeno ocorre sobretudo nos pequenos municípios e povoados. Entretanto, Carlos Rodríguez considera que, além da migração, a exploração petroleira e a extração de ouro ameaçam a Amazônia colombiana. Ele lamenta que a Colômbia não conte com "políticas públicas claras para a Amazônia, que levem em conta o contexto cultural, ambiental e social local" e que a região seja pensada apenas "em termos de exploração econômica".
Proteção O diretor da Tropenbos diz que a Colômbia tem "uma boa legislação e garantias constitucionais" – entretanto "há problemas na aplicação das políticas". A idéia é complementada por Fajardo, que acrescenta que a Amazônia está sendo ameaçada pela expansão da agricultura industrializada, como a da palma africana. Segundo o especialista, o grande problema dos monocultivos na Amazônia é que eles atentam contra a biodiversidade, uma das principais características da zona. Ele lembra que a história da exploração de borracha na Amazônia, no passado, andou de mãos dadas com os conflitos sociais. Ambos os especialistas acrescentam que, apesar de tudo, a porção colombiana da Amazônia – entre 5% e 8% do total amazônico – é a zona que está em melhor situação, em relação a outros países. |
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