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Paraguaios vão às urnas para eleger novo presidente | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Dois milhões e oitocentos mil eleitores paraguaios poderão ir às urnas neste domingo para escolher o sucessor do atual presidente Nicanor Duarte Frutos, do Partido Colorado, sigla que comanda o país há 61 anos ininterruptos. Os paraguaios escolherão entre quatro presidenciáveis: Blanca Ovelar, candidata governista, Fernando Lugo, ex-bispo católico da Aliança Patriótica para a Mudança (APC, na sigla em espanhol), o general da reserva Lino César Oviedo, do UNACE (União Nacional de Cidadãos Éticos), e Pedro Fadul, da coligação Patria Querida. O pleito de domingo também decidirá governadores, senadores e deputados, num total de mais de 700 cargos. Desemprego O próximo presidente terá desafios econômicos e sociais de peso neste país de seis milhões de habitantes. Após cinco anos de governo, Nicanor Duarte Frutos entregará a seu sucessor, no dia 15 de agosto, um país com altas taxas de crescimento – 4,5% por ano em média neste período – mas com elevados índices de pobreza, indigência e desemprego. Os três indicadores são hoje iguais ou piores do que na época de estancamento econômico do país (1982-2002). Em 2002, em plena crise econômica após declaração de moratória da dívida pública, e um ano antes da eleição de Duarte Frutos, o desemprego no país era de 16,4%. No ano passado, o índice havia caído para 8,5%. Apesar da melhora, os dados de subemprego (que incluem trabalhadores informais e os que trabalham poucas horas) preocupam. O índice de subempregados passou de 24%, em 2002, para 26,5%, no ano passado, de acordo com dados oficiais da Secretaria Técnica de Planejamento do país. No Paraguai, quatro em cada dez pessoas são pobres, e dois em cada dez vivem na indigência. Oitenta por cento dos que trabalham recebem menos do que um salário mínimo (1,4 milhão de guaranis ou cerca de US$ 280), diz o economista Dionisio Borda, ex-ministro da Economia do atual governo, professor da Universidade Nacional e diretor do Centro de Análises e Difusão da Economia Paraguaia (Cadep). Diante da falta de oportunidades, também segundo dados oficiais, sessenta mil paraguaios deixaram o país no ano passado – um índice recorde na era democrática, que começou em 1993. O Paraguai é o quarto exportador de soja do planeta e dono de uma das principais reservas energéticas do mundo, mas a falta de oportunidades intensificou essa saída de paraguaios que deixam o país em busca de melhores horizontes. "A economia cresce empurrada pelas exportações da soja e da carne, mas não porque alguma coisa tenha sido melhorada internamente", disse Borda, em entrevista à BBC Brasil. "Para os distraídos existe uma imagem de bem-estar, com pessoas usando celulares e comprando mais eletrodomésticos, mas isso está sendo possível pelas remessas enviadas por seus familiares do exterior." Entre os próximos desafios do novo presidente estão o alto nível de corrupção no país e a desconfiança dos paraguaios nas instituições. |
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