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Atualizado às: 16 de abril, 2008 - 09h52 GMT (06h52 Brasília)
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Novo campo pode fazer do Brasil 'Arábia Saudita' latino-americana, diz 'El País'
O presidente Lula e o presidente da Petrobras, Sergio Gabrielli, em visita a refinaria
Novo campo aumenta importância do Brasil, segundo o jornal
O Brasil poderá se tornar uma “Arábia Saudita” da América Latina se as notícias da descoberta de um novo megacampo de petróleo na Bacia de Santos se confirmarem, segundo afirma o jornal espanhol El País em um editorial publicado nesta quarta-feira.

A possível descoberta de um campo que poderia conter 33 bilhões de barris de petróleo e que seria o terceiro maior do mundo foi objeto de um comentário feito na segunda-feira pelo presidente da ANP (Agência Nacional de Petróleo), Haroldo Lima, e depois desmentido pelo governo brasileiro e pela Petrobras.

Para o diário, a confirmação da descoberta teria “enormes conseqüências não só para o próprio país como para toda a região, cujo interesse global aumentaria muito”.

“O México está vendo cair sua produção ao ir esgotando suas reservas, e a Venezuela vê cair a sua por uma desastrosa gestão do regime de Chávez”, afirma o editorial.

Para o jornal, o campo Carioca pode supor uma nova divisão do poder regional e mesmo mundial.

“O Brasil, por tamanho e população, inclusive em termos militares, já é uma potência regional e, até certo ponto, global ao formar parte do chamado grupo Bric. Converter-se em uma potência petroleira com exportações em todo o mundo, e especialmente nos Estados Unidos, o situaria como um dos territórios de maior interesse, pois, goste-se ou não, e ainda que progressem outras energias alternativas, o mundo vai necessitar mais petróleo durante muito tempo”, diz o editorial.

O jornal complementa dizendo que “parece que o Oriente Médio pode perder importância relativa e que surge outro mundo”. “É de se esperar que o anúncio se confirme”, conclui o editorial.

Pico

A possível descoberta também foi objeto de uma reportagem de página inteira do jornal britânico The Guardian, que afirma que ela pode contradizer análises de que a produção de petróleo no mundo pode já ter atingido seu pico.

O diário observa, porém, que apesar de que “o potencial da última descoberta no Brasil poderia adicionar suprimentos significativos para um mercado global de petróleo que tem visto os preços alcançarem níveis recordes baseados no fato de que os suprimentos estão apertados, ainda vai levar uma boa parte de uma década antes de Carioca estar pronta para produzir”.

O jornal argentino La Nación, por sua vez, relata a polêmica provocada no Brasil por conta dos comentários de Haroldo Lima na segunda-feira. O diário observa que o próprio Lima minimizou suas declarações, “após receber duras críticas por parte da entidade reguladora do mercado acionário brasileiro”.

O diário comenta que a Petrobras anunciou que as estimativas sobre o potencial do novo campo “somente poderão ser precisadas em três meses” e que Lima afirmou não ter feito “nenhum anúncio” e que seus comentários se baseavam em informações que já haviam sido publicadas por uma revista especializada.

Ações em alta

As declarações de Lima provocaram uma forte alta no preço das ações da Petrobras e também da espanhola Repsol e da britânica British Gas, sócias da estatal brasileira na exploração do novo campo.

O diário britânico Financial Times faz uma ironia afirmando que “se você procura alguém que consegue movimentar os mercados de capital, tente Haroldo Lima, um ex-engenheiro-elétrico e deputado do Partido Comunista do Brasil e, desde 2005, diretor da ANP”.

Segundo o jornal, os comentários de Lima “adicionaram US$ 20 bilhões aos valores de mercado das companhias envolvidas”.

O Financial Times comenta que o verdadeiro potencial do novo campo deve ser esclarecido em breve. “Os investidores e os brasileiros, além do temporariamente onipotente sr. Lima, esperam que seus comentários se provem corretos”, conclui o diário.

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