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Alimentos sobem 21% na China em 2008 e afetam inflação | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O preço médio dos alimentos na China subiu 21% desde o começo do ano, informou nesta quarta-feira o Departamento de Estatísticas do governo da China. A elevação respondeu 6,8 pontos percentuais do índice amplo de inflação ao consumidor (CPI), que marcou 8% no trimestre. O CPI de março foi 8,3%, contra 8,7% em fevereiro. A queda relativa de março para fevereiro na verdade reflete a alta excessiva da inflação ocorrida no mês de fevereiro causada por um dos invernos mais rigorosos já registrados na China. Recentemente, o presidente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, afirmou que encarecimento dos alimentos pode levar à "instabilidade social" e a "confrontos". Durante o encontro anual do Banco Mundial no fim de semana, líderes da instituição disseram que é necessária uma ação rápida para acabar com a falta de alimentos, que tem causado distúrbios violentos em alguns países em desenvolvimento como Haiti e Egito. A acentuada elevação no preço dos alimentos é um problema para as autoridades da China, que buscam controlar a inflação para evitar, por um lado, que a economia fique superaquecida e, por outro, que os cidadãos percam poder aquisitivo. O aumento da taxa de juros e a valorização cambial foram medidas tomadas pela China do ponto de vista econômico para aliviar a alta no índice de preços ao consumidor. Entretanto, a cotação das commodities é controlado pelo mercado mundial e não há como a China aliviar a alta doméstica dos alimentos se não através do aumento das importações e do subsídio da produção nacional. Crescimento Em separado, o governo também revelou nesta quarta-feira que o crescimento da economia desacelerou levemente no primeiro trimestre, registrando seu pior desempenho em mais de um ano. O crescimento do Produto Interno Bruto da China caiu para 10,6% entre janeiro e março, um ritmo mais lento que os 11,7% registrados no mesmo período do ano passado. Em declarações à agência oficial chinesa, Xinhua, o professor Song Guoqing, do China Economic Research Center em Pequim, disse que a redução do ritmo de crescimento chinês é "normal", e que "a taxa de crescimento do ano passado é muito alta para se sustentar". Com uma possível desaceleração na economia mundial em decorrência da estagnação norte-americana, a China não deve chegar a registrar em 2008 o mesmo crescimento de 11,7% obtido em 2007. Em uma declaração pública, o governo da China disse que espera ver "significativo crescimento" da economia para este ano, através de maior controle monetário e desenvolvimento equilibrado. "Políticas foram postas em prática de maneira efetiva, levando ao crescimento ritmado e contínuo", disse o governo. Brasil A alta nos preços não chegará a beneficiar irrestritamente as exportações de alimentos do Brasil para a China. As vendas de soja poderão registrar aumento, pois o grão já é amplamente importado pelos chineses, mas outros itens como carne, leite e frutas não serão afetados. A razão para a baixa exportação é a falta de acordos sanitários com a China que facilitem a entrada desses produtos. Atualmente esses alimentos são importados por Hong Kong, que depois os re-exporta à China. Alem disso, os exportadores brasileiros parecem não estar muito entusiasmados com os consumidores chineses. “Os frigoríficos preferem exportar mais à África, onde os padrões sanitários não são tão rigorosos, e à Rússia, onde se paga mais pela carne”, explicou à BBC Brasil a consultora de comércio internacional Tatiana Anders. |
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