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Atualizado às: 15 de abril, 2008 - 15h04 GMT (12h04 Brasília)
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Museu do Prado mostra obras de Goya sobre a guerra; veja

Frei Pedro batendo com a pistola. Francisco Goya (Imagem: Museu Nacional do Prado)
A mostra reúne obras de Goya com temática de guerra
O Museu do Prado, em Madri, inaugura nesta terça-feira uma exposição que reúne obras do pintor espanhol Francisco Goya com a temática da guerra.

A mostra Goya em Tempos de Guerra traz cerca de 200 obras produzidas pelo artista entre 1794 e 1819 – período no qual o pintor viveu atormentado por doenças e pelas recordações da invasão napoleônica a Madri, em 1808.

A exposição, que reúne obras de coleções particulares, é a maior já dedicada a Francisco Goya no renomado museu espanhol.

Segundo os curadores da mostra, a temática da guerra foi escolhida para a comemoração dos 200 anos da Guerra da Independência de Madri, mas também para mexer com a consciência coletiva sobre a violência da guerra.

"Não é uma exposição para passar um momento agradável. Trata-se de uma revisão sobre a violência e sua atualidade. Veremos a um Goya comprometido com a realidade ante o lado mais doloroso do ser humano", descreveu o curador José Manuel Matilla.

Tormento

A etapa em que Goya criou obras inspiradas na guerra coincidiu com duas de suas maiores doenças, uma delas acabou deixando-o surdo, em 1793.
O conflito bélico teria atormentado tanto o pintor, que ele chegou a ser considerado louco.

"Mas alguém com essa capacidade de trabalho não poderia estar louco. Sua loucura estava fora dele, no que estava vivendo", disse a outra curadora da exposição e Chefe de Conservação de Pintura do Século 18 do Museu do Prado, Manuela Mena.

A produção deste período acabaria também com a fase de "pintor burguês", já que Goya era o artista oficial da realeza espanhola. Os quadros de guerra - alguns encomendados pela própria corte - mostrariam o lado mais profundo e amargo do artista.

Os especialistas do Museu do Prado consideram Francisco Goya como uma figura ainda pouco reconhecida, se comparado com outros nomes célebres da história.

"Goya é tão importante como Einstein. No entanto, ao contrário do cientista, ele capta a essência do ser humano, e não a da galáxia. É como Michelangelo, já que desconhecemos todo o trabalho que há por trás dessa suposta simplicidade", completou a curadora.

O Museu do Prado restaurou alguns dos quadros especialmente para a exposição, e descobriu assinaturas do pintor que estavam encobertas. Uma delas feita em cima de um punhal caído no chão.

Os dois quadros mais importantes da mostra, chamados "Dias 2 e 3 de maio de 1808" (pintados em 1814), foram retirados do Prado durante a Guerra Civil Espanhola (1936-1939).

Esta proteção do então governo republicano salvou as obras dos bombardeios alemães, comandados por Hitler, que atendeu ao pedido do ditador Francisco Franco de atacar Madri, mesmo que tivesse que destruir o Museu do Prado.

A mostra Goya em tempos de guerra fica em cartaz no Museu do Prado, em Madri, até o dia 13 de julho.

Quadro '3 de Maio de 1808 em Madri', de Francisco Goya (Imagem: Museu Nacional do Prado)Em Madri
Goya 'violento' ganha mostra; veja.
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