BBCBrasil.com
70 anos 1938-2008
Español
Português para a África
Árabe
Chinês
Russo
Inglês
Outras línguas
Atualizado às: 28 de março, 2008 - 21h32 GMT (18h32 Brasília)
Envie por e-mailVersão para impressão
Análise: Eleição no Zimbábue tem participação inédita da oposição

Simpatizantes do oposicionista Morgan Tsvangirai no Zimbábue
Rival de Mugabe atrai multidões e faz campanhas em seus redutos
As eleições deste sábado no Zimbábue são as mais empolgantes desde as de 1980, realizadas um ano após a inpependência do país e que levaram o atual presidente Robert Mugabe ao poder.

Pela primeira vez desde a formação de uma oposição com credibilidade, há oito anos, a campanha eleitoral tem sido pacífica, com os candidatos que desafiam Mugabe tendo acesso às áreas rurais - onde mora a maioria dos eleitores.

Ao contrário do que fizeram em outras eleições, as milícias do presidente têm deixado a oposição em paz.

O motivo pode ter a ver com a entrada na disputa de Simba Makoni, ex-ministro das Finanças que tem o apoio de lideranças do Exército e conta com boa aceitação tanto entre eleitores do Zanu-PF como entre simpatizantes da oposição.

Alguns dizem que Makoni entrou na corrida tarde demais para ter uma chance realista de ganhar e que, portanto, o principal adversário de Mugabe é o veterano líder oposicionista Morgan Tsvangirai.

'Menino novo'

Mas o anúncio de Makoni, integrante do partido governista, o Zanu-PF, de que disputaria as eleições como candidato independente, há seis semanas, agitou a campanha e levou muita gente a se registrar para votar.

"Ele é o menino novo do pedaço", disse um morador de Harare à BBC. "Ele é o único que pode derrotar o presidente porque tem mais chance nas áreas rurais."

Se nenhum dos candidatos obtiver 50% dos votos, a eleição vai para segundo turno.

Os votos anti-Mugabe provavelmente se uniriam em um segundo turno, o que significa que as melhores chances de o presidente se reeleger estão neste sábado.

Mas não está claro como a candidatura de Makoni pode influenciar o resultado.

Por causa do longo histórico de Mugabe de recorrer às mais variadas táticas para permanecer no poder, há quem suspeite que a entrada do ex-ministro seja uma jogada diversionista para dividir o voto anti-Mugabe.

Outra análise, porém, indica que ele pode justamente dividir os votos do Zanu-PF.

A campanha do ex-ministro diz que a maioria dos líderes do Zanu-PF o apóia, apesar de apenas um grande nome do partido, Dumiso Dabengwa (ex-ministro do Interior), ter declarado isso publicamente.

Multidões

Durante a campanha, Tsvangirai tem atraído as maiores multidões. Isso não significa que ele terá mais votos no dia da eleição. Parte dos eleitores pode ser atraída pela distribuição de brindes e comida, e muitos dos presentes podem não estar registrados para votar. Mas o fato é que o MDC vem ganhando confiança.

A crise econômica não poupou redutos de Mugabe e a redistribuição de terras que assegurou lealdade de eleitores no passado não levou a melhores padrões de vida, como ele prometeu.

As pessoas culpam cada vez mais o governo pela falta de produtos básicos nas lojas e de dinheiro nos seus bolsos.

"Não tenho dúvida de que nós temos um grande apoio", disse Tsvangirai à BBC.

Mas algumas semanas de campanha podem não ser suficientes para superar o efeito de anos em que a voz da oposição foi mal ouvida nas áreas rurais.

Resultado

Mugabe diz que os problemas do Zimbábue são resultado de um plano ocidental para derrubá-lo e ele ainda pode ter novos truques escondidos na manga.

Tsvangirai tem uma longa lista de queixas eleitorais, mas teme que a Comissão Eleitoral as julgue de acordo com a conveniência do partido governista. O governo, por sua vez, nega estar planejando interferir nas eleições.

O candidato tem tentado convencer as pessoas de que quanto mais gente votar contra Mugabe, mais difícil será alterar o resultado.

E é nesse sentido que a entrada de Makoni pode ser significativa.

Segundo o analista político John Makumbe, líderes militares e agentes da temida polícia secreta de Mugabe apóiam Makoni e podem se recusar a apoiar uma eventual manipulação do resultado.

"Não é uma questão de se Mugabe vai tentar fraudar a eleição, é uma questão de se vão permitir que ele faça isso."

Com o resultado da eleição tão incerto, as pessoas estão começando a se perguntar se Mugabe aceitaria uma derrota.

NOTÍCIAS RELACIONADAS
ÚLTIMAS NOTÍCIAS
Envie por e-mailVersão para impressão
Tempo|Sobre a BBC|Expediente|Newsletter
BBC Copyright Logo^^ Início da página
Primeira Página|Ciência & Saúde|Cultura & Entretenimento|Vídeo & Áudio|Fotos|Especial|Interatividade|Aprenda inglês
BBC News >> | BBC Sport >> | BBC Weather >> | BBC World Service >> | BBC Languages >>
Ajuda|Fale com a gente|Notícias em 32 línguas|Privacidade