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Atualizado às: 27 de março, 2008 - 16h24 GMT (13h24 Brasília)
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Sul-africanos nadam em rio com crocodilos para ir à escola

Estudantes sul-africanos cruzam o rio em bóias para ir à escola (Fotos: Gcina Ndwalane/The Mercury)
Estudantes sul-africanos cruzam rio em bóias e a nado para ir à escola
Estudantes de um vilarejo na África do Sul são obrigados a cruzar um rio cheio de crocodilos a nado ou em bóias para freqüentar a escola.

Os moradores exigem a construção de uma ponte porque crianças de até 7 anos de idade passaram a ter de cruzar o rio depois que o barco que levava os moradores à outra margem foi roubado.

Nos dias de aula, 150 crianças do vilarejo de Sahlumbe cruzam o rio Tugela nadando e usando bóias de pneus e baldes para manter suas roupas e livros secos. Os mais velhos ajudam os mais novos, que se agarram aos pneus.

Para cruzar o rio com segurança, seria necessário fazer um desvio de 20 quilômetros para chegar à escola.

"Existem cerca de 70 casas daquele lado do rio, mas não existem ônibus e ninguém tem carro", afirmou um dos conselheiros municipais do vilarejo de Kwazulu-Natal.

"Eu me preocupo o tempo todo", afirmou Hlengiwe Mthembu, diretora da escola primária Thuthukani. "Existem animais perigosos lá, principalmente crocodilos."

Cansaço

As crianças geralmente chegam cansadas à aula, com pouca concentração, segundo a diretora.

"Elas ficam na sala de aula tremendo, por causa do frio, e não conseguem estudar bem porque ficam preocupadas com a forma como vão voltar para casa."

"É muito difícil para elas", acrescentou. "Depois de chuvas mais pesadas, o rio fica muito cheio. Podem ser necessários dez minutos para atravessar."

O único hospital da região também fica na outra margem do rio Tugela. Em 2003, uma mulher grávida tentou atravessar o rio a nado e morreu afogada.

Sem escolha

Bóias de pneus são usadas para que uniformes e livros fiquem secos na travessia
Bóias de pneus são usadas para que uniformes e livros fiquem secos

O conselheiro local Sibusiso Nbatha afirmou que a maioria das famílias se mudou para a outra margem do rio há três anos, depois de terem sido retiradas das terras onde viviam.

De acordo com Nbatha, muitos pais não têm escolha a não ser deixar que os alunos atravessem o rio a nado.

"Nem todas as crianças sabem nadar, então algumas vão em cima das bóias ou então seus pais as levam", disse. "O rio é muito fundo para adultos e nem todos eles sabem nadar."

Nbatha afirmou que nem mesmo o barco da comunidade, que foi roubado, era seguro, e pede a construção de uma ponte.

"(O barco) era velho e cheio de buracos", diz. "Havia apenas um barco e era usado por toda a comunidade."

O conselheiro municipal afirma que pede a construção da ponte para o Departamento de Transportes há cinco anos.

"Eles nos deixam esperando", reclama Nbatha. "É muito frustrante, você pode ver a escola do outro lado do rio, mas não pode chegar lá."

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