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Atualizado às: 14 de março, 2008 - 15h59 GMT (12h59 Brasília)
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Estilistas criam coleção de burqas na Noruega; veja

Burqa da Marked Moskva
Burqas da Marked Moskva têm cores quentes e estampas
A tradicional burqa muçulmana acaba de estrear nas passarelas da moda da Noruega, com o lançamento de uma coleção totalmente inspirada na vestimenta que cobre da cabeça aos pés algumas mulheres muçulmanas.

A idéia da grife norueguesa Marked Moskva é popularizar a burqa como peça básica - e libertadora - do vestuário feminino.

"A burqa pode dar mais liberdade às mulheres", disse a estilista Tonje Nordmo em entrevista por telefone à BBC Brasil.

"Para as ocidentais, ela dá a oportunidade de poder sair de casa sem se preocupar com o cabelo ou a maquiagem, por exemplo, além de proporcionar privacidade. E se as ocidentais começarem a usar burqas, as muçulmanas podem passar a sofrer menos discriminação", acrescentou ela.

Até o momento, segundo a estilista, não houve nenhuma reação negativa por parte de grupos muçulmanos.

"Temos tido apenas reações positivas", afirmou Tonje Nordmo. "E não estamos com medo, porque nossas intenções são as melhores possíveis."

Criação e venda

As túnicas da coleção, destaca a estilista, foram criadas tanto para mulheres muçulmanas como para não-muçulmanas. A Marked Moskva empregou duas muçulmanas para ajudar a criar a coleção, e três peças já foram vendidas para mulheres islâmicas.

Versões estilizadas da burqa já passaram pelas passarelas da London Fashion Week em 2007. Mas a coleção norueguesa é mais fiel ao estilo original, cobrindo totalmente a cabeça e os olhos. A diferença está na variedade de estampas e texturas criadas pela grife.

Há por exemplo a "burqa-verão", com estampas florais, e a burqa de peles, adaptada para os vários graus negativos do inverno nórdico. A coleção inclui ainda uma "burqa-doll" para dormir, e até uma burqa para noivas.

A idéia de criar a coleção surgiu depois de os três designers da grife - Tonje Nordmo, Maria Kartveit e Cedric Stevens - terem resolvido adotar a burqa como parte de seu guarda-roupa.

"Tivemos que mandar trazer as peças do Afeganistão", conta Tonje. Mas usar as tradicionais túnicas negras nas ruas da capital norueguesa, Oslo, foi uma experiência estressante.

"Ouvimos vários insultos e fomos impedidos de entrar em restaurantes. Outras pessoas pareciam assustadas, com medo da nossa presença. Sentimos na pele a discriminação sofrida pelas muçulmanas", disse a estilista.

Cores

Foi então que o grupo de designers decidiu criar sua própria versão da burqa, em cores quentes e tecidos variados.

"Assim, ninguém pode saber se quem está usando a nossa burqa é uma muçulmana ou uma ocidental”, observa Tonje.

A estilista rebate as críticas de quem vem interpretando a coleção da Marked Moskva como uma piada.

"Não se trata de piada, de modo algum. Há de fato aspectos positivos na burqa, e nossa mensagem é esta: experimente, você vai gostar. É também uma maneira de as pessoas serem julgadas pelo que realmente são, e não pela sua aparência”, diz Tonje Nordmo.

Burqa da Marked MoskvaDa Noruega
Grife transforma burqa em moda.
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