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Integração regional projeta Brasil no mundo, diz analista | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O Brasil é o líder natural da América do Sul e a integração da região é o primeiro passo para a inserção internacional do país. A opinião é de especialistas em política externa que defendem uma integração mais profunda ad região. "A integração é importante para os fins da segurança, do bom entendimento político e econômico", diz o historiador Amado Luiz Cervo, professor de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB) e do Instituto Rio Branco e um defensor da política externa atual. Apesar de percalços, como a crise recente envolvendo Colômbia, Equador e Venezuela, Cervo diz que a integração está construindo uma zona de paz, o que ajuda a explciar a "desnuclearização" da região. O cientista Marcelo Coutinho, coordenador executivo do Observatório Político Sul-Americano, do Instituto de Universitário de Pesquisa do Rio de Janeiro (Iuperj), vê uma "diversificação temática" na integração. "Lugar no mundo" "Além do comércio, a integração se dá na educação, cultura, infra-estrutura, energia", afirma. Coutinho acha que, embora a sociedade ainda não participe plenamente deste processo, isso pode começar a mudar quando os temas ligados à integração ganharem contornos mais práticos. Ele cita com exemplos a eleição para o Parlamento do Mercosul pelo voto popular a partir de 2010 e a criação de uma universidade que será instalada na Tríplice Fronteira entre Brasil, Argentina e Paraguai. O professor da UnB acha que a importância do Brasil no cenário internacional exige que o país assuma um papel central na região. "O lugar do Brasil não é a América do Sul, é o mundo. O Brasil usa a região como uma área de fortalecimento do seu sistema produtivo para a partir daí dar um passo maior", afirma Cervo. O historiador diz que que, para exercer esta liderança, o governo tem de "engolir sapos", como fez no caso da Bolívia, quando o governo nacionalizou as refinarias da Petrobras. "Uma parte da opinião pública defende o endurecimento. O governo Lula não. Se fizéssemos isso, se reagíssemos, a segurança e o processo de integração seriam afetados." Distanciamento Os nacionalismos, diz ele, são uma limitação à integração, e despertam o que ele chama de "empáfia". "Temos que ser precavidos, cautelosos, andar devagar, evitar reações. O Brasil tem este cuidado, a diplomacia sempre foi muito hábil em lidar com essas empáfias", afirma. Embaixador brasileiro em Washington no governo Fernando Henrique, Rubens Barbosa faz críticas a atual política externa brasileira e argumenta que o Brasil deve se distanciar cada vez mais do parceiros regionais. "Hoje a projeção externa do Brasil é muito grande e a tendência é o país se descolar da América do Sul. Em 10, 15 anos o Brasil vai estar numa posição muito distante dos outros países da região e vai emergir como uma potência econômica global", afirma. Para Barbosa, o governo deveria dar mais atenção às relações com outros países, especialmente os grandes mercados consumidores da Europa e Estados Unidos. |
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