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Atualizado às: 08 de março, 2008 - 02h09 GMT (23h09 Brasília)
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Zapatero acusa ETA de interferir nas eleições
O primeiro-ministro da Espanha, José Luís Rodríguez Zapatero
Zapatero culpa grupo separatista por morte de político socialista
O primeiro-ministro da Espanha, José Luís Rodríguez Zapatero, acusou nesta sexta-feira o grupo separatista basco ETA de tentar interferir nas eleições gerais deste domingo, depois do assassinato do ex-vereador do Partido Socialista Isaías Carrasco dois dias antes do pleito.

Zapatero disse que "terroristas queriam interferir na manifestação pacífica da vontade do povo" ao assassinar Carrasco, que foi morto com três tiros ao deixar sua casa na cidade Mondragon, no País Basco.

Até agora, no entanto, nenhum grupo reivindicou a autoria do assassinato.

O ETA, que encerrou um cessar-fogo de 15 meses em junho do ano passado, depois do fracasso de negociações de paz, já realizou ataques similares no passado.

Depois da notícia do assassinato de Carrasco, os principais partidos políticos interromperam seu último dia de campanha antes da votação de domingo.

Zapatero, que lidera o Partido Socialista, interrompeu uma viagem de campanha à cidade de Málaga e voltou à capital, Madri. Ele prometeu usar todos os meios para capturar os responsáveis pela morte de Carrasco.

"Nós sabíamos que o ETA ainda poderia causar danos e dor irreparáveis aos espanhóis", disse Zapatero, em uma declaração transmitida pela TV espanhola. "Hoje eles acrescentaram mais uma vítima a sua longa e vergonhosa lista."

O primeiro-ministro espanhol insistiu que a morte de Carrasco não vai afetar o resultado das eleições de domingo, que o Partido Socialista espera vencer. Zapatero concorre a um segundo mandato.

Em dezembro de 2006, Zapatero interrompeu negociações de paz com o ETA depois de um atentado a bomba no estacionamento do aeroporto de Madri, que provocou a morte de duas pessoas.

ETA

Carrasco tinha 42 anos e foi candidato pelo Partido Socialista nas eleições municipais de 2007.

Segundo testemunhas do crime, o assassino usava uma barba falsa e fugiu do local depois de atirar em Carrasco.

De acordo com a polícia, a mulher e a filha de Carrasco saíram correndo da casa logo após os tiros e chamaram a polícia. Carrasco morreu ao chegar ao hospital.

O ETA, sigla para Euskadi Ta Azkatasuna, que significa Pátria Basca e Liberdade em basco, luta há mais de três décadas pela independência do País Basco.

O grupo surgiu nos anos 60, como um movimento estudantil de resistência à ditadura militar do general Francisco Franco.

Calcula-se que a campanha separatista do ETA já tenha causado mais de 800 mortes, principalmente de membros da Guarda Civil espanhola e de políticos contrários às reivindicações do grupo.

Em 2004, o ETA foi responsabilizado inicialmente pelos atentados à bomba que mataram 191 pessoas em Madri. Pouco depois, descobriu-se que o grupo não tinha relação com os ataques, realizados na verdade por extremistas islâmicos.

O modo como o governo do então primeiro-ministro José Maria Aznar, do Partido Popular, reagiu aos atentados acabou provocando indignação na população, o que deu a vitória a Zapatero nas eleições daquele ano, realizadas três dias depois dos ataques.

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