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Atualizado às: 14 de março, 2008 - 10h42 GMT (07h42 Brasília)
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Para cientista político, Brasil deveria buscar 'integração seletiva'

Lula e Chávez em ato de criação do Banco do Sul, em dezembro
Lula e Chávez em ato de criação do Banco do Sul, em dezembro
Na contramão dos que defendem uma integração mais profunda entre os países da América do Sul, o cientista político Amaury de Souza, sócio da consultoria MCM Consultores Associados, diz que o Brasil deveria investir numa "integração seletiva" com os países da região.

"Devemos nos concentrar durante um bom tempo em fortalecer o comércio, proteger e expandir os investimentos e consolidar uma infra-estrutura de transportes e energia", afirmou à BBC Brasil.

"Já é uma agenda suficientemente grande para nos ocupar nos próximos 15 anos", diz Souza, para quem a atual política externa brasileira é mais ambiciosa do que permite os recursos de que o país dispõe.

Na opinião de Souza, é preciso antes investir nas três areas citadas acima antes de partir para uma agenda mais política e uma integração em setores como educação, cultura e militar.

Frustração

"Não está na hora de fazermos nenhuma agenda profunda. O Brasil quer fazer tudo ao mesmo tempo, mas não temos recursos para isso", afirma. "Começar a vender o que você não tem, só vai produzir frustração."

 Não existe esta idéia da América do Sul. Não podemos ficar nesta bobajada ideológica. A América do Sul não existe além da geografia.
Amaury de Souza

Para reduzir as dificuldades, o consultor diz que o Brasil deveria investir numa "política diferenciada" para os países pequenos da região, como Uruguai, Paraguai, Bolívia e Equador.

"Para estes países, o Brasil deveria ter uma política diferenciada, tirar os entraves às importações e abrir o mercado", afirma.

Já os países maiores, como Chile, Argentina, Colômbia e Venezuela não precisam disso, avalia Souza.

Ele acha que o fluxo de comércio com os países vizinhos – o Brasil teve no ano passado superávit com todos os países da região, com exceção da Bolívia, que exporta gás ao Brasil – tende a se equilibrar nos próximos anos com os investimentos das empresas brasileiras nos vizinhos.

Por esta lógica, estas empresas passariam a produzir nesses países, e exportariam para o Brasil.

"Daqui a pouco estaremos importando produtos siderúrgicos, minerais e até agrícolas produzidos em filiais de empresas brasileiras nos países vizinhos", diz ele.

Souza critica a idéia predominante no atual governo brasileira, de uma integração mais ampla na América do Sul.

Liderança

"Não existe esta idéia da América do Sul. Não podemos ficar nesta bobajada ideológica. A América do Sul não existe além da geografia", afirma.

A liderança do Brasil na região, palavra evitada pelo governo e boa parte dos analistas, é considerada "natural" por Souza.

"A liderança do Brasil é um fato tão natural como respirar. Somos de longe o maior território, a maior população, a maior economia. Não tem porque o Brasil ficar se preocupando", afirma.

Ele rejeita, no entanto, declarações explícitas de liderança, como foi feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no início do governo.

"Primeiro, porque isso não funciona. Segundo, quem quer uma liderança explícita precisa pagar por isso. O Brasil não quer pagar. E terceiro porque não adianta fazer discurso se não tem poder", afirma.

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