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Mercados asiáticos podem aproximar Brasil e Chile | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
À medida em que o Chile tenta se firmar como o país da América do Sul que servirá de plataforma de exportação para os países asiáticos, a busca por negócios do outro lado do Pacífico pode servir como um ponto de aproximação entre o país andino e o Brasil. Com uma economia pequena e altamente dependente da produção de cobre, o Chile quer aproveitar a sua localização geográfica para se converter em um país prestador de serviços para os vizinhos exportadores e, nesse projeto, o Brasil pode ser um parceiro-chave. "O Brasil é a maior economia da América Latina, está entre as dez maiores economias do mundo e, portanto, convidar o Brasil a esse projeto é muito importante", afirma Eduardo Rodríguez Guarachi, especialista em relações econômicas internacionais da Universidade Diego Portales e ex-embaixador do Chile no Japão e na Argentina. Os negócios entre o Chile e os países asiáticos vêm crescendo rapidamente. Mas a assessora do congresso chileno na Área de Relações Exteriores, Defesa e Tratados Internacionais, Verónica Barrios Achavar, diz que os países asiáticos mostram um interesse cada vez maior em negociar com a região toda. "Se nós vamos para uma reunião, eles sempre perguntam como está o Brasil, vocês estão trabalhando juntos? Como está a integração, o Mercosul?", afirma. Montagem e exportação Como país plataforma, o Chile poderia oferecer os serviços nos portos localizados às margens do Pacífico, mais próximos da Ásia. Mas o objetivo é que os empresários vizinhos passem também a montar produtos em território chileno, aproveitando-se dos tratados de livre comércio que o país andino tem com os asiáticos.
"Esse produto é montado no Chile, ele adquire origem chilena e daí pode ser exportado, graças às preferências tarifárias que o Chile tem com a China, o Japão, os Estados Unidos", afirma o primeiro-secretário da embaixada brasileira em Santiago, João Paulo Ortega Terra. É justamente esse tipo de negócio que Eugenio Cortes Mangelsdorf, gerente geral da Zofri - a maior zona franca da América Latina, localizada em Iquique, no norte do Chile -, quer atrair. "Nós pretendemos realizar uma missão ao Brasil e convidar os empresários brasileiros a conhecer Iquique e as vantagens que uma zona franca pode oferecer", afirma. Desafios Para Ortega Terra, além da localização geográfica, o Chile tem uma infra-estrutura logística sólida a oferecer aos exportadores brasileiros. "Um estudo do Banco Mundial no ano passado demonstrou que os portos chilenos e a logística de comércio internacional do Chile são das mais eficientes", diz ele. Mas os portos localizados no norte do país reconhecem que será preciso ainda muito investimento para que a vocação de país plataforma se concretize. O gerente de operações do porto de Iquique, Andres Diaz Brito, diz que é necessário um investimento de "US$ 100 milhões nos próximos dez anos." Outro desafio é a integração física do Chile com os vizinhos, principalmente com o Brasil, com o qual não tem fronteiras. Em dezembro do ano passado, os governos brasileiro, chileno e boliviano assumiram um compromisso de terminar, até o ano que vem, o chamado corredor interoceânico, que ligará os portos de Arica e Iquique, no norte do Chile, ao porto de Santos, em São Paulo, passando pela Bolívia. |
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