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Atualizado às: 25 de março, 2008 - 11h06 GMT (08h06 Brasília)
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Jovem morre após ter socorro negado em Londres

Wanessa Marques, em Londres
Em seu diário, Wanessa escreveu que Londres seria "seu ponto final"
A brasileira Wanessa Marques, de 23 anos, chegou a Londres em 16 de junho de 2007. Três dias depois, com fortes dores na perna, a jovem, que estava com visto de turista, teve atendimento médico inicial negado na rede pública britânica e morreu de trombose em um hospital pouco mais de um mês depois.

"É inevitável pensar que se ela tivesse sido atendida pelo clínico-geral talvez a sua vida tivesse sido poupada", disse à BBC Brasil Vânia da Conceição Borges, mãe de Wanessa.

"Eles não poderiam jamais ter negado atendimento. Independentemente de ter o documento ou não, era um ser humano", criticou.

Em resposta à BBC Brasil, o Ministério da Saúde britânico informou que a legislação do país estabelece que os clínicos gerais do sistema público de saúde podem atender gratuitamente (porém não são obrigados) a pacientes com o visto de turista.

"Se optarem por não prestar atendimento gratuito, devem, pelo menos, oferecer ao paciente a possibilidade de pagar pelo tratamento", esclareceu o ministério - o que não teria acontecido no caso de Wanessa.

"Ponto final"

A prima da jovem, Suzi Farias, acompanhou Wanessa ao médico e contou que a clínica negou o atendimento alegando que ela não era residente na Grã-Bretanha.

"Ela (a recepcionista) não só negou atendimento, como também disse não saber onde ela poderia receber assistência. Eu fiquei tão indignada que perguntei: `se alguém chega aqui morrendo vocês não atendem'? Ela me respondeu que não".

Na Grã-Bretanha, os atendimentos médicos iniciais são prestados pela rede pública, até para os clientes dos planos privados de saúde. Para Wanessa, não teria sido possível, por exemplo, ter optado por um médico particular.

De acordo com informações da Bupa, a maior prestadora de planos de sáude do país, o primeiro disgnóstico é feito, geralmente, por um clínico geral público que, em seguida, pode encaminhar o paciente para o tratamento privado.

Durante duas semanas, Suzi cuidou da prima, aplicando pomadas na perna e dando analgésicos para dor. Um dia, no entanto, Wanessa amanheceu muito amarela e, preocupada, Suzi resolveu pedir a ajuda de sua mãe.

"A minha mãe ficou em choque ao ver a Wanessa e me disse para levá-la ao hospital imediatamente, mas, antes mesmo de eu chamar a ambulância, ela teve o primeiro ataque cardíaco", contou.

Wanessa chegou ao hospital com vida e recebeu um marca-passo, que não evitou outros dois ataques cardíacos, levando-a ao estágio de coma durante 20 dias.

A mãe de Wanessa chegou a vir do Brasil para acompanhar a filha de perto, mas já era tarde demais.

Ao chegar à Grã-Bretanha, no dia 20 de julho de 2007, recebeu a notícia de que a filha falecera no dia de sua chegada.

Sem recursos para enviar o corpo para o Brasil, Wanessa foi enterrada em Londres, onde, como escreveu em seu diário, "seria o seu ponto final".

As despesas com o funeral, que custou 4,1 mil lilbras (cerca de R$ 14,8 mil), foram pagas com doações da comunidade brasileira.

Problema comum

Atendimento médico para imigrantes ilegais
Bélgica: Direito a atendimento, mas exige pedido de assistência médica de urgência, que pode levar até um mês para ser aceito
Espanha: Atendimento médico gratuito para estrangeiros registrados nas administrações municipais
França: Assistência médica completa para os que residem há mais de 3 meses no país e com renda mensal inferior a 587 euros
Grécia: Atendimento apenas em casos de "vida ou morte" ou de gestantes
Grã-Bretanha: Atendimento de emergência gratuito, sem direito a exames ou a atenção especializada
Itália: Assistência médica de urgência gratuita para algumas doenças e gestantes
Portugal: Estrangeiros devem declarar que moram no país há mais de três meses e arcar com parte do tratamento
ONG Médicos do Mundo

Um estudo da ONG Médicos do Mundo, com sede em Bruxelas, indica que 76% dos imigrantes ilegais em sete países europeus não têm acesso à assistência médica gratuita.

"Essas pessoas deveriam, teoricamente, ter acesso ao tratamento gratuito. Mas, na prática, há uma série de obstáculos", explicou Michel Degueldre, presidente da ONG.

O maior problema, segundo o estudo, é que os residentes ilegais que têm direito à assistência gratuita não sabem disso ou não conseguem informações sobre como solicitá-la.

A organização também chama a atenção para o fato de que muitos profissionais de saúde se recusam a oferecer o atendimento estabelecido por lei a ilegais.

*Colaborou: Márcia Bizzotto, da BBC Brasil em Bruxelas

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