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Atualizado às: 31 de janeiro, 2008 - 18h11 GMT (16h11 Brasília)
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Mostra britânica reúne obras com pele humana; veja
O artista Stelarc disse que a orelha é um acréscimo à forma do corpo
O artista Stelarc enxertou uma orelha no próprio braço
Uma exposição que reúne esculturas feitas com pele humana promete despertar interesse e polêmica em uma galeria na cidade de Liverpool, na Inglaterra.

Ao todo, 15 artistas internacionais participam da exposição, que fica em cartaz de 1º de fevereiro a 30 de março no centro cultural FACT.

A mostra Sk-interfaces inclui um casaco feito com tecido cultivado em laboratório que mescla células humanas e de várias outras espécies.

A obra, intitulada Harlequin Coat, é da artista ORLAN, conhecida por ter alterado cirurgicamente seu próprio rosto buscando faces associadas a culturas não-ocidentais.

Tecidos híbridos

Outro trabalho exposto na galeria, Victimless Leather (em tradução livre, Couro Sem Vítima), explora a possibilidade de se produzir couro sem matar um animal.

Três casacos em tamanho miniatura são produzidos ao vivo pelos artistas Oron Catts e Ionat Zurr a partir de pele cultivada in vitro na própria galeria.

Os artistas franceses Marion Laval-Jeantet e Benoît Mangin criaram um tecido híbrido feito com células extraídas de suas próprias peles mescladas com células da pele de porcos.

O tecido, cultivado em laboratório, foi tatuado e será enxertado na pele de colecionadores de arte para que eles possam fisicamente "vestir e absorver a obra", diz um texto elaborado para explicar os objetivos da exposição.

O artista Stelarc implantou uma orelha no braço e agora pretende acoplar um microfone ao órgão.

O microfone será conectado à internet para que as pessoas possam ouvir o que "a orelha" está ouvindo.

A obra da americana Julia Reodica usa células extraídas da vagina da artista e de músculos de animais para criar "himens de designer".

As esculturas são apresentadas como produtos que deveriam ser comercializados como objetos de "re-virginização", abordando temas como a pureza e o valor atribuído à virginidade feminina em diferentes culturas.

Polêmica

A exposição Sk-interfaces aborda algumas das questões mais polêmicas da atualidade, fundindo ciência, tecnologia e arte. Como resultado, está atraindo atenção, mas também polêmica.

John Ashton, secretário de Saúde Pública da região noroeste da Inglaterra, afirma que, para muitos, um evento como esse poderia ser considerado de extremo mau gosto. Para Ashton, a exposição deixa perguntas no ar.

"Será que artistas têm alguma responsabilidade em relação a como seu público se sente a respeito das coisas?", questiona o secretário.

"O que antes era entendido como uma superfície que representa o limite do eu, eentre o dentro e o fora, hoje pode ser visto como uma fronteira instável", diz Jens Hauser, curador da exposição.

Oron Catts, uma das artistas que participam da mostra, admite que a tecnologia que permite o cultivo de tecidos vivos em laboratório, e que forma a base da exposição, é perturbadora.

"Achei a tecnologia promissora, provocante e também muito perturbadora", disse Catts. "Decidi usar essa tecnologia como uma forma de arte e tentar criar algo a partir de tecidos vivos."

Arte e ciência
Obras são criadas com 'tecido híbrido'.
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