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Atualizado às: 25 de janeiro, 2008 - 07h38 GMT (05h38 Brasília)
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Análise: Queda de Prodi expõe crise política na Itália

Imagens de Romano Prodi e Silvio Berlusconi em um desfile de carnaval na Itália
População italiana demonstra desprezo pela classe política
Em meio às montanhas de lixo que se acumulam pelas ruas de Nápoles, há uma forte sensação de que algo está muito errado na Itália.

É uma história sintomática do fracasso do país em lidar com a corrupção.

No início da década de 90, promotores de Milão expuseram a ampla e sistemática prática de suborno dentro dos maiores partidos políticos.

O escândalo de Tangentopoli, como foi chamado, derrubou os democratas-cristãos e muitos que estavam no poder.

Com os processos contra os políticos, surgiram promessas de uma nova e vibrante Segunda República.

Ainda hoje, a Itália permanece com um dos piores governos da Europa.

Houve algum progresso nos anos 90, quando a Itália adotou o euro. O sucesso das reformas econômicas foi amplamente atribuído ao então primeiro-ministro Romano Prodi.

Mas quando Prodi retornou ao poder, em 2006, a economia italiana estava em queda, e a recuperação da década de 90 já havia sido esquecida.

Coalizão

Prodi prometeu reformas liberais, reunindo uma improvável coalizão formada por nove partidos. Era um casamento de conveniência entre católicos ao centro e comunistas de extrema esquerda.

No entanto, nesta semana, em meio a mais alegações de corrupção, tudo acabou em um confuso divórcio.

Clemente Mastella, o líder de um pequeno partido Democrata Cristão, o Udeur, renunciou ao cargo de ministro da Justiça para se concentrar na defesa contra acusações de corrupção. Com isso, seu partido anunciou que também estava se retirando da coalizão de governo.

Apesar de ter vencido um primeiro voto de confiança na Câmara Baixa do Parlamento, na quarta-feira, Prodi perdeu no Senado, nesta quinta-feira, e teve de renunciar.

Uma análise fria dos dois anos de Prodi à frente do governo mostra que houve poucos sucessos.

Em seu governo, houve alguns ministros extremamente competentes. Mas com nove partidos brigando por poder, cada ministério tinha vários vices.

O ministro das Finanças, Tommaso Padoa-Schioppa, apresentou um orçamento para 2008 com cortes modestos nos gastos públicos.

Mas os planos mais ambiciosos de liberalizar a economia foram logo derrubados pela extrema esquerda.

Prodi foi repetidamente forçado a fazer concessões. E com profundas divisões sobre aspectos da política externa, da política fiscal e da reforma no sistema de aposentadorias - isso sem mencionar a quase ininterrupta queda do primeiro-ministro e do governo nas pesquisas de opinião - sempre foi uma questão de quando, e não de se, essa coalizão iria ruir.

Desprezo

Nas ruas, o povo se sente traído. O desprezo pela classe política foi retratado pelo comediante Beppe Grillo. Seu blog recebe 200 mil acessos por dia. Em setembro, ele levou essa vasta comunidade virtual para o mundo real, em protestos por toda a Itália.

Mas apesar da frustração pública, ainda mantém sua popularidade na centro-direita o homem mais rico da Itália, Silvio Berlusconi, de 71 anos.

O ex-primeiro-ministro, à frente nas pesquisas, agora se prepara para as eleições na primavera européia.

Foi seu sistema de representação proporcional, aprovado três meses antes de seu governo deixar o poder, que se transformou no grande problema para a centro-esquerda.

Críticos afirmam que esse sistema fez a Itália retroceder, assegurando que só poderia haver governo com uma fraca maioria, e que partidos nanicos, com apenas um punhado de votos, teriam uma parcela desproporcional de poder.

Há um consenso crescente entre a oposição - e mesmo entre os partidos pequenos - de que antes de qualquer eleição, é preciso mudar as leis eleitorais novamente.

Decisão

O presidente Giorgio Napolitano será forçado a tomar uma decisão nos próximos dias.

Ele poderá pedir a Prodi que forme uma nova coalizão com uma lista de "coisas a fazer".

Ele poderá também convocar eleições, mas especialistas afirmam que é mais provável que Napolitano indique um governo interino ou uma grande coalizão para supervisionar essa tão necessária reforma eleitoral.

Com todas as mudanças de lado comuns na política italiana, tudo está muito caótico.

E neste momento, a sensação é de que a Itália tem poucas alternativas.

O diário econômico Il Sole 24 Ore resumiu perfeitamente o sentimento geral em sua edição desta quarta-feira: "Há uma distância alarmante separando o mundo político italiano e a realidade econômica no resto do país".

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