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Atualizado às: 17 de dezembro, 2007 - 23h20 GMT (21h20 Brasília)
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Lula: Morales 'não é inimigo, mas companheiro'

Lula e Morales (Foto: Marcello Casal Jr./ABr)
Lula e Morales observam tratores financiados pelo Brasil (Foto: Marcello Casal Jr./ABr)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que o presidente boliviano Evo Morales "não é adversário nem inimigo, mas companheiro", em um encontro nesta segunda-feira no palácio do governo, em La Paz.

Lula disse que algumas pessoas queriam que eles brigassem, mas que isso não vai acontecer. "Não viramos adversários e muito menos inimigos. Viramos companheiros", afirmou Lula, que também anunciou novos investimentos da Petrobras no país.

"Aos que pregaram o distanciamento e esfriamento em nossas relações respondemos com uma agenda renovada. Aos que defenderam o enfrentamento respondemos com cooperação. Estou certo de que Bolívia e Brasil serão parceiros num objetivo mais amplo da integração sul-americana", afirmou o presidente.

O apoio político do presidente Lula acontece num momento de forte divisão na Bolívia, com as províncias do leste e sul do país rejeitando a reforma constitucional apoiada por Morales e reivindicando maior autonomia regional.

Duas manifestações no fim de semana, de apoio à constituinte de Morales em La Paz, e a decretação formal da autonomia em quatro províncias no leste, mostram que o país está dividido, embora sem confronto entre as duas parcelas da população.

O presidente também recomendou que Morales tivesse paciência para superar o momento de tensão política.

"Evo, nestes momentos de conturbações políticas que eu vivi muito tempo no Brasil, se eu pudesse te dar um conselho, sem me intrometer na política da Bolívia: paciência, paciência e paciência. Porque certamente o povo boliviano na sua grandeza saberá ditar os rumos que vão consolidar a democracia no nosso continente", afirmou Lula.

Na Bolívia, a própria visita do presidente Lula é vista como um apoio à política de nacionalização de hidrocarbonetos, que reduziu o lucro das empresas estrangeiras no país e paralisou os investimentos por mais de um ano. Um painel decorando o saguão do palácio, onde aconteceu a cerimônia, tinha como slogan: a nacionalização traz mais investimentos.

"Vim para reafirmar a disposição do Brasil para que a Bolívia encontre o caminho da estabilidade e do desenvolvimento econômico e social. Diferenças de opiniões e de visões são próprias da democracia. Estamos conseguindo acomodar nossas diferenças e vamos iniciar uma nova etapa nas relações", afirmou o presidente.

O presidente Evo Morales disse que o país precisa dos investimentos brasileiros. "Espero que este encontro tenha servido para acabar com as desconfianças. Precisamos de vocês. Ambos nos necessitamos para atender às demandas de nossos povos", afirmou Morales.

Lula disse ainda que para concretizar a integração na América do Sul é preciso que os países mais ricos apóiem os mais pobres.

"Os países mais ricos e maiores precisam resolver o problema da assimetria. Não interessa uma nação rica cercada de pobres por todos os lados", afirmou ele, citando Brasil, Argentina e Venezuela como países que têm responsabilidades para com os vizinhos.

O presidente Lula citou a União Européia como exemplo de região que soube distribuir a riqueza e os Estados Unidos como exemplo negativo em relação à América Central.

Os dois trataram também, sem citar nomes, das hidrelétricas que serão construídas no Rio Madeira, que já tiveram oposição do governo boliviano e hoje são criticada principalmente por ambientalistas bolivianos, temerosos do impacto do outro lado da fronteira.

"É importante respeitar o meio ambiente, mas também é muito importante atender às demandas energéticas. Se não há energia, se não há água, se não há investimento, qualquer região, qualquer país, seguirá atrasado em seu desenvolvimento", disse Morales.

Lula afirmou que o Brasil está disposto "a cooperar no desenvolvimento do potencial hidrelétrico da Bolívia". O governo tem planos para construir também uma usina binacional, na fronteira dos dois países no Rio Mamoré, em local próximo às usinas brasileiras.

Investimento

Depois de uma prolongada discussão que durou até o encontro dos dois presidentes, nesta segunda-feira, o governo brasileiro anunciou a retomada dos investimentos da Petrobras na Bolívia.

O comunicado oficial fala num montante entre US$ 750 milhões e US$ 1 bilhão, mas o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, disse que por enquanto está acertado apenas um investimento de US$ 260 milhões no aumento da produção dos campos de gás de San Antonio e San Alberto.

O restante, disse ele, vai depender das primeiras explorações e da necessidade e viabilidade de novos investimentos.

Ficou acertada também a possibilidade de criação de uma empresa conjunta entre a Petrobras e a estatal boliviana YPFB para exploração de novos campos de gás, além da cooperação da Petrobras para o treinamento de técnicos bolivianos.

Outro acordo é para a realização de estudos para a criação de um pólo gás-químico, com investimento da brasileira Brasken, para a produção de plásticos.

Morales disse que estava satisfeito pelo "desbloqueio dos investimentos" e que as as mudanças nas regras do setor de hidrocarbonetos, nunca tiveram a intenção de expulsar empresas. "Mas como dizemos: queremos sócios, não donos", afirmou.

"Qualquer investidor tem direito não só a recuperar seus investimentos mas também o seu lucro. Isso sempre vamos respeitar em qualquer empresa", disse o presidente boliviano.

O presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, e o ministro boliviano de Hidrocarbonetos, Carlos Villegas, em reunião em La Paz em 6 de novembro de 2007Gás da Bolívia
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