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Reunião da ONU em Bali entra em fase decisiva | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Depois de seis dias de intensas negociações entre as delegações de mais de 190 países, a conferência da Organização das Nações Unidas (ONU) para mudança climática em Bali, Indonésia, teve um dia de pausa neste domingo - antes de iniciar a fase crítica do encontro na segunda-feira. Na quarta-feira, começa em Bali a etapa ministerial do encontro, com a presença de diversas autoridades mundiais, entre elas, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, e o ministro do Exterior, Celso Amorim. Por isso, os negociadores vão começar a semana em ritmo acelerado, para tentar aparar as últimas arestas antes da chegada das autoridades. "O começo é tranqüilo, a partir de segunda feira até a sexta-feira à noite é que vai pegar fogo. Em Buenos Aires, a última sessão durou 26 horas", disse à BBC Brasil o chefe da delegação brasileira em Bali, embaixador Everton Vargas. Para esta segunda semana do encontro, são esperadas também celebridades envolvidas em questões ambientais como Leonardo di Caprio, Bianca Jagger e o ex-vice-presidente e prêmio Nobel Al Gore, entre outros. Segundo negociadores, durante a primeira semana de reuniões, as questões mais polêmicas não avançaram muito, apesar dos discursos otimistas na primeira sessão, na última segunda-feira. "É comum a outras conferências que, na abertura, quando cada um expõe as suas idéias, que haja muita retórica", disse à BBC Brasil o embaixador extraordinário para Mudança Climática, Sérgio Serra. Questão D Entre os assuntos mais polêmicos, está a discussão sobre como tratar o desmatamento evitado no chamado "mapa do caminho" de Bali - como foi apelidado o documento que deve ser assinado pelos ministros na sexta-feira. Na parte dedicada à redução de emissões do desmatamento e degradação de florestas em países em desenvolvimento (REDD, na sigla em inglês), o Brasil defende uma proposta conhecida RED, ou seja, sem o D de degradação. Além disso, há a questão de como remunerar os países que efetivamente evitarem o desmatamento. O Brasil prefere a criação de um fundo gerido pelo próprio país, enquanto a maior parte dos outros prefere receber créditos de carbono que seriam comerciados dentro do mercado de créditos de carbono que já existe. As dificuldades nessa área, levaram o ministro Celso Amorim a dar uma guinada na estratégia brasileira, que agora vai buscar formar uma coalizão para tentar acertar os ponteiros com outros países. De acordo com o cientista e integrante do Painel Intergovernamental para Mudança Climática (IPCC, na sigla inglesa), Attiq Rahman, que participa do encontro como negociador por Bangladesh, a primeira semana ficou no patamar mais baixo das expectativas, mas destacou que o início das negociações é sempre lento. "Discute-se palavra por palavra e ainda falta resolver grandes palavras. É uma primeira fase movida por interesses próprios, de visão muito estreita. Na maioria dos grupos de discussão há influência de grandes grupos de interesse", afirmou Rahman. Apesar disso, o especialista em meio ambiente afirma estar otimista de que o chamado mapa de Bali deve ser concluído até sexta-feira. Trabalho Muitos reclamam também do volume de trabalho, maior do que de outros encontros, e que teria forçado os presidentes de alguns grupos a subdividirem as comissões para tentar dar conta a tempo de todas as questões a serem acertadas. Por outro lado, o diplomata Sérgio Serra, que participa das negociações de um grupo de trabalho que discute futuras ações de mitigação (combate), adaptação, transferência de tecnologia e financiamentos para essas ações, diz que elas parecem próximas de uma conclusão. "Fiquei razoavelmente otimista de que os trabalhos sejam concluídos talvez antes da chegada dos ministros", disse Serra. Por sua vez, o secretário-executivo da conferência, Yvo de Boer, disse no sábado que já tem pronto o seu recado às autoridades que desembarcam em Bali nesta semana. "Vou dizer: 'o mundo está aguardando por ações. Qual é a resposta política de vocês?'", afirmou de Boer. A reunião da ONU sobre mudança climática acaba na sexta-feira, dia 14 de dezembro. |
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