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Atualizado às: 27 de novembro, 2007 - 11h00 GMT (09h00 Brasília)
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Centros na Ásia tratam viciados em internet com disciplina militar

Jovem dorme em cybercafé na China
Em pesquisa, 42% de jovens chineses se disseram viciados em internet
Países asiáticos como China e Coréia do Sul estão criando centros especiais em que disciplina militar e choques elétricos são usados para tratar o que as autoridades locais têm enxergado como um problema cada vez mais sério: o vício em internet.

No recém-inaugura centro Jump Up Internet School, na Coréia do Sul, jovens são submetidos a exercícios em percursos de obstáculos - no estilo dos usados em treinamentos militares.

Na clínica, é proibido o uso de computadores e só se pode conversar ao celular por no máximo uma hora a cada dia.

Essa é a primeira clínica para vitimas do vício da internet na Coréia do Sul, mas na China já existem oito centros de combate à dependência da web.

A maior e mais importante chama-se Base de Crescimento Psicológico para Adolescentes Chineses e fica em um hospital militar no distrito de Daxing, em Pequim.

Em funcionamento desde 2005, o centro aplica tratamento que inclui, além de exercícios espartanos e psicanálise, uma terapia à base de leves choques elétricos.

“A dependência da internet é tão séria quanto a do álcool, tabaco ou drogas” disse Tao Ran, diretor do centro de Daxin ao jornal estatal China Daily, em setembro.

Tragédias

O tratamento pode parecer duro, mas é uma alternativa levada a sério pelos chineses, frente ao elevado número de usuários viciados e à crescente onda de tragédias associadas ao problema.

De acordo com estatísticas divulgadas pela imprensa oficial, na China existem mais de 113 milhões de internautas, dos quais mais de 2,5 milhões são menores de 18 anos e estão viciados no mundo digital.

Em junho, um adolescente com menos de 16 anos matou a mãe a facadas quando ela se recusou a dar dinheiro para que ele fosse jogar videogame em uma LAN house na cidade de Cantão.

Poucas semanas depois, também em Cantão, um homem de 30 anos morreu de parada cardíaca após passar três dias seguidos jogando pela internet, informou o diário Beijing News.

Em agosto, na cidade de Chengdu, um homem teve a mão decepada pela esposa por não ter cumprido a promessa de que pararia de utilizar compulsivamente a internet para bater papo com outras mulheres.

Combate ao problema

Esses são apenas os casos mais recentes de um problema que assola a China há pelo menos mais de três anos.

Existem inúmeros grupos de estudos voltados especificamente para esse tipo de distúrbio e a Associação Chinesa para Ciência e Tecnologia passou a organizar anualmente uma conferencia voltada para estudar formas de prevenir o vício da internet.

No último encontro, ocorrido há dois meses, uma pesquisa apresentada sugeria que fatores como a vida familiar, desempenho escolar e ambiente social também contribuem para a ocorrência de casos de dependência da internet.

Uma estudo realizado pelo conglomerado de mídia IAC/InterActiveCorp e a rede multinacional de publicidade JWT, e divulgado na semana passada, concluiu que os chineses são mais suscetíveis à dependência da web que os americanos.

Ao todo, 42% dos chineses afirmaram sentirem-se viciados pela rede, contra 12% dos americanos que disseram o mesmo.

O governo chinês tem levado a sério a ameaça da dependência cibernética e tomou providências polêmicas para acabar com o problema.

Em março proibiu a emissão de novas licenças de operação de cibercafés, numa tentativa de restringir o acesso da população à rede e conseqüentemente diminuir os casos de dependência.

A medida, entretanto, foi recebida com ceticismo pela imprensa estrangeira, que a viu como uma possível forma de censura.

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