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Relatório do IPCC elogia Protocolo de Kyoto | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O relatório político do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), concluído nesta sexta-feira em Valência (Espanha), faz uma menção elogiosa ao Protocolo de Kyoto, a cerca de um mês de uma reunião internacional que discutirá o substituto do acordo climático. Ao mencionar instrumentos internacionais de cooperação que oferecem "resposta à mudança climática", o texto, em inglês, cita os "notáveis avanços" do Protocolo de Kyoto, que estabeleceu metas de emissões de CO2 para os países industrializados. A referência é em parte científica, em parte política. O IPCC chancela um acordo que vem sendo descumprido por vários governos de países industrializados e não foi sequer ratificado pelos Estados Unidos. "O tom do IPCC deve ser científico, ou seja, pode reconhecer os avanços de Kyoto, mas não recomendá-lo ou prescrevê-lo aos políticos", diz o diretor do Programa de Mudança Climática da organização World Wide Fund for Nature (WWF), Hans Verolme. "Claro que se pode argumentar que existe uma linha fina entre os dois", acrescenta Verolme. Em um rascunho do relatório do IPCC elaborado em maio, ao qual a BBC Brasil teve acesso, nada havia sobre Kyoto. Entrelinhas O relatório político do IPCC terá grande peso quando líderes do mundo inteiro se encontrarem entre os dias 3 e 14 de dezembro em Bali, na Indonésia, para discutir o acordo que substituirá o Protocolo de Kyoto. O entendimento expira em 2012, e o substituto deve ser definido com antecedência suficiente para ser ratificado nos Parlamentos nacionais. Na reunião de Bali, cada palavra aprovada em Valência deve ter um peso. Isso explica por que delegações interessadas em suavizar o tom do documento questionaram ao longo da semana o alerta de que a mudança climática pode ter impactos "irreversíveis". No sentido em que é aplicado, o termo se refere à possível extinção de espécies em conseqüência do aumento da temperatura da atmosfera e da elevação do nível dos mares. Outra interpretação é a de que pequenas ilhas também estariam ameaçadas de desaparecer "irreversivelmente" sob as águas dos mares, obrigando as populações locais a se deslocarem. Para ativistas, se estes fenômenos são conseqüência do aquecimento global, os responsáveis pela mudança climática podem ser obrigados a prestar contas. Mensagens como esta estão nas entrelinhas do texto discutido em Valência. Para dar ainda mais força à mensagem do IPCC, o próprio secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, divulgará oficialmente o documento no sábado. "Os fatos estão no documento e não podem ser mudados. A mudança climática é realidade e pode significar 'mudanças irreversíveis' para o planeta", disse Hans Verolme, do WWF. "Nós (o WWF faz parte do IPCC como organização observadora) condensamos 2,5 mil páginas de pesquisas científicas em 25 páginas de documento, que políticos do mundo inteiro terão de ler se, de fato, estiverem preocupados com o futuro do planeta." |
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