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'Realidade feia' ameaça Copa no país do 'joga bonito', diz jornal | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Uma reportagem do jornal britânico The Independent afirma nesta quarta-feira que a "realidade feia" ameaça a realização da Copa do Mundo no Brasil, a "terra do joga bonito". Seguindo a linha de outros textos publicados em jornais estrangeiros, a reportagem diz que as deficiências de infra-estrutura e a criminalidade são limitações para que o maior evento mundial do futebol seja realizado com sucesso no Brasil. Para o Independent, por mais que a disputa da Copa no Brasil seja um apelo "para qualquer um como um mínimo de romance nas veias", a escolha do país para ser sede do mundial de 2014 é "uma aposta". "A área contida entre Porto Alegre, Recife e Manaus, todas candidatas a sede, é maior que aquela entre Oslo, Lisboa e Istambul, e carece da infra-estrutura de transporte em geral impressionante da Europa", diz o jornal. "O relatório da Fifa que indicou a seleção do Brasil é cheio de referências sutis, codificadas, a aspectos negativos, mas mesmo este documento positivo admite que a 'segurança é uma preocupação'." O Independent lembra que todos os estádios candidatos a acolher partidas têm de ser renovados, o que pode levar o governo ao endividamento – mesmo que os organizadores argumentem, sem convencer jornalistas estrangeiros, que os recursos serão levantados com a iniciativa privada. "Mas se a Copa do Mundo não puder ser realizada no quinto maior e mais populoso país do mundo, a nona economia mundial e, ainda por cima, o país que venceu a competição cinco vezes, mais que qualquer outro, e é identificado globalmente como detentor da vida do futebol, onde mais poderá?", questiona a reportagem. "O Brasil pode ter seus problemas, muitos relativos à desigualdade da divisão de riqueza, mas é democrático e multicultural (...) A Copa de 2014 pode ser memorável, mas o relógio avança, e os próximos sete anos simplesmente voarão." Outros jornais O tom de cautela marcou reportagens em outros jornais estrangeiros. O britânico Daily Telegraph afirmou que as preocupações com corrupção, infra-estrutura, segurança e altos custos "ofuscaram" a escolha do país. O diário financeiro Financial Times disse que a confirmação do Brasil como sede de 2014 gerou ceticismo mesmo entre brasileiros, já que muitos consideram que o país empregaria melhor seus recursos em programas sociais. Em outra linha, o francês Libération preferiu dar destaque ao "entusiasmo" que a indicação do Brasil gerou na opinião pública. "Os políticos esperam colher os dividendos dela - a começar pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que viajou a Zurique encabeçando uma delegação que incluiu o escritor Paulo Coelho e o veterano Romário". Já o argentino La Nación preferiu esquecer as críticas e disse que a Copa de 2014 será uma oportunidade para o Brasil "saldar uma dívida": reverter o histórico de má sorte em casa, desde o chamado "Maracanaço" – a derrota para o Uruguai na Copa de 1950, única vez em que o mundial foi disputado no país. |
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