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Atualizado às: 23 de outubro, 2007 - 14h12 GMT (11h12 Brasília)
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Nobel de Literatura diz que 11/09 'não foi tão terrível'
Doris Lessing
Lessing foi premiada em reconhecimento por sua produção literária ao longo de 57 anos
A escritora Doris Lessing, ganhadora do prêmio Nobel de Literatura de 2007, disse que os ataques de 11 de setembro em Nova York "não foram tão terríveis" se comparados aos atentados do IRA.

Durante três décadas, o IRA - sigla inglesa para Exército Republicano Irlandês - conduziu uma campanha violenta pelo fim do domínio britânico sobre a Irlanda do Norte.

"Alguns americanos vão pensar que sou louca... mas não foi nem tão terrível, nem tão extraordinário como eles pensam", disse a escritora ao jornal espanhol El Pais.

Lessing, com 88 anos, acrescentou que "as pessoas se esquecem" do ataque a bomba do IRA contra o governo de Margaret Thatcher em 1984.

Cinco pessoas morreram e 34 ficaram feridas quando uma bomba plantada pelo IRA explodiu no hotel em Brighton onde integrantes do Partido Conservador britânico - incluindo a então primeira-ministra Thatcher - estavam hospedados para uma conferência anual.

'Calamidade Mundial'

A escritora reconheceu que "muitas pessoas morreram e dois prédios importantes caíram" como resultado dos ataques no World Trade Center em 2001.

"Eles são um povo muito ingênuo, ou fingem ser", acrescentou Lessing, referindo-se aos americanos.

A posição da escritora a respeito dos acontecimentos de 11 de setembro em Nova York não é nova. Em entrevista à BBC Brasil em 2002, Lessing fez a seguinte declaração:

"Não vejo por que 11 de setembro possa ser considerado pior do que outras coisas que aconteceram no mundo. Acho que existe um grande abismo entre as pessoas da minha geração e os outros. Quem vivenciou a Segunda Guerra Mundial sabe que 11 de setembro foi uma coisa terrível, mas não foi pior do que muitas outras coisas".

"O que aconteceu à psicologia americana é muito interessante. Eles pareciam acreditar que eram imunes a esse tipo de ataque. Por isso estão tão chocados: descobriram que não são diferentes do resto de nós. Vivemos num mundo muito violento", disse a escritora em 2002.

De volta a 2007, a autora de O Carnê Dourado e A Erva Canta disse em sua entrevista ao jornal El Pais que o presidente americano, George W. Bush, é "uma calamidade mundial".

"Todo mundo está cansado deste homem. Ou ele é muito estúpido ou muito esperto, embora, você tem de lembrar, ele é membro de uma classe que lucrou muito com as guerras".

A escritora disse também que "sempre odiou Tony Blair desde o começo".

Doris Lessing ganhou o Nobel por seu "fogo e poder visionário" e deve ir receber seu prêmio em uma cerimônia em Estocolmo no dia dez de dezembro.

Ela receberá cerca de US$ 1,5 milhão em reconhecimento por sua produção literária ao longo de 57 anos.

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