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Atualizado às: 12 de outubro, 2007 - 22h11 GMT (19h11 Brasília)
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Análise: Nobel inclui clima na agenda da segurança global

O ex-vice-presidente dos EUA Al Gore
Talentoso orador, Gore difundiu mensagem da crise climática
Ao agraciar Al Gore e o IPCC com o Nobel da Paz, os responsáveis pelo prêmio incluíram as mudanças climáticas entre os grandes temas que norteiam a agenda da segurança global.

Para comprovar isso, basta dar uma olhada na lista dos ganhadores em anos anteriores e os temas que eles representaram.

Armas atômicas, proliferação nuclear, o Oriente Médio, a Coréia do Norte, o Timor Leste, a Irlanda do Norte, a desintegração da União Soviética, o apartheid na África do Sul, minas terrestres, novamente o Oriente Médio...

Todos esses temas ameaçaram afetar, e em muitos casos de fato afetaram, o bem-estar das pessoas dentro e fora de zonas de conflito.

Premiando o IPCC, a Fundação Nobel escolheu o órgão que fez mais para, por meio da ciência, explicar o que as mudanças climáticas poderão representar para a sociedade e para a natureza.

Mas, se o IPCC é o órgão que liderou os esforços para se entender o que está acontecendo com o clima, Al Gore foi o menestrel, divulgando a mensagem das alterações no meio ambiente para todo o mundo de uma forma que ninguém antes havia tentado.

Talento para a oratória

Al Gore não foi o primeiro a tentar trazer para a esfera pública a questão do aquecimento global.

Entretanto, sendo um peso pesado da política no mais poderoso país do mundo (e também um dos mais céticos em relação ao tema), Gore ganhou destaque em veículos de comunicação como nenhum cientista ou ativista conseguiu.

Ele também se revelou como um fantástico orador: afiado, bem-humorado e com habilidade de envolver seu público.

Na política, Gore também foi longe e fez de tudo: vestiu camisetas e comeu hambúrgueres durante suas campanhas eleitorais.

Durante oito anos, ele teve ao alcance de seus dedos o botão que poderia lançar o arsenal nuclear americano e destruir o planeta.

Quem, então, não ouviria sua mensagem, alertando quanto a uma catástrofe mundial, não nuclear, mas climática?

Tédio

 Sendo um peso pesado da política no mais poderoso país do mundo (e também um dos mais céticos em relação ao tema), Gore ganhou destaque em veículos de comunicação como nenhum cientista ou ativista conseguiu. Ele também se revelou como um fantástico orador: afiado, bem-humorado e com habilidade de envolver seu público.

Muitos podem argumentar que Gore teve sorte de começar sua campanha em um momento em que os fatos científicos sobre as mudanças climáticas estavam ficando mais claros.

Quanto a isso, porém, é necessário agradecer ao IPCC, os burocratas que tornaram isso realidade, os centenas de cientistas que participaram de discussões, e os milhares de outros cientistas que alimentaram esses debates com suas pesquisas.

Boa parte do que um cientista faz não é glamouroso. Muitos dos estudiosos envolvidos na tarefa de estabelecer claramente o que está acontecendo com a Terra enfrentam um trabalho entediante, geralmente não reconhecido, e o Nobel é, em parte, um prêmio para esses profissionais.

Seus anos de paciência levaram à última conclusão do IPCC, de que é mais de 90% provável que os seres humanos são o principal agente causador das mudanças agora observadas no clima do planeta.

Essa conclusão e as projeções sobre o impacto de tais mudanças é que dão munição para Gore e outros quando eles falam sobre o problema – seja no cinema ou nos corredores do poder.

Bush

No último ano, foi possível perceber uma grande mudança na forma como a questão das mudanças climáticas é vista e debatida.

Embora essa possa ser uma impressão nebulosa, aparentemente os governos mais céticos têm se mostrado mais abertos a aceitar os fatos científicos que são apresentados nas mesas de discussão.

E é importante lembrar que o que aparece nos títulos dos relatórios do IPCC é endossado por representantes dos governos mais importantes. Não se tratam apenas de conclusões de um grupo de cientistas fazendo mais um estudo, sem nenhuma repercussão.

Recentemente, o presidente americano George W. Bush endossou a necessidade de reduzir as emissões de uma forma mais explícita do que jamais fez antes.

Os Estados Unidos, o país que mais polui no mundo, se recusam a ratificar o Protocolo de Kyoto para redução das emissões que provocam o efeito estufa.

Apesar da declaração de Bush, o governo americano ainda decepciona na adoção das recomendações do IPCC e de Gore, como fazem outros países.

Não está claro se a mudança de postura de Bush vai fazer alguma diferença em dezembro, quando a ONU realiza em Bali, na Indonésia, a reunião anual da Convenção da ONU sobre o Clima.

O Nobel para o grupo de cientistas e seu talentoso tradutor talvez tornem isso mais possível.

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