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Mídia argentina marca 40 anos de morte de Che | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A mídia argentina deu grande destaque aos 40 anos da morte de um de seus mais ilustres filhos, o líder revolucionário Che Guevarra. Cinqüenta e quatro anos depois que partiu de Buenos Aires para percorrer a América Latina, o Clarín reconstruiu a trajetória que Che fez com seu amigo de aventura Carlos “Calica” Ferrer, agora com 78 anos. O jornal La Nación contou, por sua vez, que o mito é considerado santo – “San Ernesto” – no lugar onde ele morreu, entre La Higuera e Vallegrande, na Bolívia. No mesmo jornal, o jornalista Pablo Mendelevich escreveu que Che Guevara ainda desperta “amor e ódio”, 40 anos depois. Já o jornal Pagina 12 lamentou, num artigo, que o ex-revolucionário, defensor dos mais pobres, esteja melhor retratado nas diferentes biografias do que nas telas do cinema. “Até agora, a melhor tentativa foi Diários de Motocicleta”, escreveram em referência ao filme de Walter Moreira Salles. O filme conta a primeira viagem de Guevara, então acompanhado por seu amigo Alberto Granado. Dois anos depois, ele voltaria para a estrada com Calica, como reproduz o jornal Clarín. O jornal dominical Perfil distribuiu em DVD o documentário Os últimos dias de Che, exibido pelo History Channel e apresentado pelo jornalista argentino Jorge Lanata. Personagem político Numa pesquisa de opinião realizada mês passado no programa de televisão El Gen argentino do canal Telefê, Che foi eleito como o principal personagem político da Argentina no século 20. Com 59,8% dos votos, ele superou até mesmo a também legendária Evita Perón, mulher do ex-presidente Juan Domingo Perón, criador do peronismo. O programa é assistido principalmente por espectadores jovens. Os argentinos aproveitaram a data para discutir a 'nacionalidade' de Ernesto Che Guevara, que é visto como cubano pelos cubanos e como argentino pelos argentinos. “Na esquerda argentina, preferem presentear Che a Cuba. Uma forma de coincidir com Fidel Castro do uso do Che como forma propaganda política”, disse o historiador e psicanalista argentino Pacho O'Donnell, autor de Vida por um mundo melhor, uma biografia do Che. Já a direita argentina, interpretou, acha que o ex-guerrilheiro é um “inimigo” e politicamente “indigesto”. A biografia escrita por O'Donnell narra os 39 anos de vida do médico que saiu da Argentina, com pouco mais de 20 anos, para percorrer a América Latina. O historiador é também autor do documentário que foi distribuído neste domingo pelo jornal Clarín. O diário ainda dedicou suplementos especiais sobre a “viagem em que Ernesto se transformou em Che”. Amor e ódio Na Argentina, onde nasceu, e no resto do mundo, Che Guevara simboliza a “ética” e o “ideal” e por isso seu rosto está nos cartazes das diferentes manifestações do planeta, observou o O'Donnell. “As pessoas, principalmente os mais jovens, não aderem a Che Guevara por suas idéias políticas ou porque coincidam com seu marxismo ou sua idéia da luta armada como via de enfrentamento ao capitalismo. As pessoas aderem a Che Guevara porque ele representa o princípio da ética, da honestidade e a convicção de que se pode dar a vida por um ideal”, disse o especialista à BBC Brasil. Para O'Donnell, a imagem de Che vem ganhando mais força, nos últimos tempos, à medida que a sociedade percebe que o ex-revolucionário simboliza “o oposto” da globalização, do pensamento único e da “permissão” a atitudes nem sempre idôneas de diferentes setores. “E Che está nos cartazes de qualquer lugar do mundo, seja nos protestos por direitos humanos, por melhores salários ou por melhores condições de vida”, ressalta. “Mas é preciso resgatá-lo como argentino”, sugeriu O'Donnell. |
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