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Atualizado às: 17 de setembro, 2007 - 14h09 GMT (11h09 Brasília)
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Lula diz não ter medo de crise e dá recado a Bush

Presidente Lula e o primeiro-ministro espanhol, José Luiz Zapatero
Lula e o premiê José Luis Zapatero, no Palácio de la Moncloa, Madri
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta segunda-feira em Madri que não tem medo de que a crise financeira internacional chegue ao Brasil.

Diante de investidores e do primeiro-ministro espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, Lula não só responsabilizou o governo dos Estados Unidos, como mandou um recado para o presidente George W. Bush.

“Daqui a alguns dias vou encontrar o meu amigo Bush e vou dizer a ele: Bush, resolve o problema da crise, porque não vamos deixá-la atravessar o Atlântico e chegar ao Brasil. Ele vai ter que assumir a responsabilidade”.

Lula insistiu que a situação econômica brasileira é sólida o bastante para resistir às circunstâncias internacionais. E lembrou aos empresários que já passou o tempo em que o Brasil era vulnerável em todos cenários de crise.

“Estou convencido e não costumo trabalhar com medo premeditado. Ninguém me assusta na Terra. Os Estados Unidos vão ter que resolver o seu problema. Eu tenho certeza de que essa crise não vai afetar o Brasil.”

'Política inadequada'

O presidente ganhou o apoio do primeiro-ministro Zapatero, que também responsabilizou o governo americano pela ameaça de extensão do problema a outros mercados.

O líder socialista da Espanha disse que a crise é “conseqüência de uma política inadequada de um país que é a maior potência do mundo”.

Durante uma entrevista coletiva no Palácio de la Moncloa, sede do governo espanhol, ambos dirigentes reivindicaram também uma renovação no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU).

O Brasil reivindica uma vaga permanente e conta com o apoio da Espanha.

“Espanha e Brasil estão juntos em uma visão de democratização da ONU. O mundo mudou, e é preciso que a ONU se modernize. As Nações Unidas não podem ter a mesma estrutura de 60 anos atrás”, disse Lula.

Quanto à Rodada de Doha, o presidente explicou que o Brasil não pretende medir forças com as grandes potências internacionais, mas também não quer "voltar para casa" com a sensação de que os países em desenvolvimento não têm voz.

“Não importa se o Brasil não ganhar. Se empatar, já está bom”, disse Lula.

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