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Atualizado às: 04 de setembro, 2007 - 17h49 GMT (14h49 Brasília)
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Proibição a lavadores de pára-brisa gera polêmica na Itália

Limpador de pára-brisas, em Roma
Críticos dizem que medida pune apenas elo mais fraco da cadeia
A decisão da Prefeitura de Florença de proibir imigrantes de ficar nos semáforos limpando os vidros dos carros está gerando polêmica em toda a Itália.

Desde que a ordem entrou em vigor na semana passada, políticos de direita e de esquerda debatem sobre a legalidade da medida, que não prevê prisão em flagrante, mas um possível processo por violação do código penal que pode levar à cadeia.

Com o pontapé inicial de Florença, as pessoas que eram vistas dia e noite com rodinho e balde na mão limpando os pára-brisas dos carros nos principais cruzamentos de todas as grandes cidades italianas sumiram das ruas, com medo de serem pegas e tachadas como criminosas.

O presidente da Câmara dos Deputados, Fausto Bertinotti, e vários ministros do governo de centro-esquerda afirmaram que a medida adotada em Florença é ilegal e injusta, por punir apenas o elo mais fraco da cadeia.

De acordo com eles, por trás de vários limpadores de vidros – quase todos imigrantes e muitos deles menores de idade – está alguém que os explora.

"Não devemos esquecer que as medidas de segurança mais certas, que dão os melhores resultados, são aquelas que prevêem a integração dos imigrantes e não a do medo", disse a ministra das Políticas para a Família, Rosy Bindi.

Milão e Roma

Dentro do governo, há também quem defenda a ordem que está em vigor em Florença.

"O respeito às regras vale para todos e é a base da convivência civil", afirmou o ministro do Trabalho, Cesare Damiano.

A prefeita de Milão, Letizia Moratti, também disse que a medida de Florença atinge apenas a parte mais débil da cadeia, enquanto o problema é muito mais amplo.

De acordo com ela, o projeto de lei sobre a imigração, que deverá entrar em discussão no Congresso nos próximos meses, favorece o surgimento de novos limpadores de vidros ao induzir os imigrantes a trabalhos ilegais, porque não prevê a obrigatoriedade de ter um emprego fixo antes mesmo da chegada ao país.

"Em Milão, há muito tempo é proibido lavar o carro em áreas públicas", disse a prefeita. "Quem viola a lei é punido com multas."

A Polícia de Roma realizou na semana passada a primeira blitz contra o que é caracterizado na cidade como microilegalidade: pedir esmolas nas ruas, lavar vidros de carros nos semáforos, vender bolsas falsas e trabalhar como os conhecidos "flanelinhas" brasileiros, cuidando de carros em estacionamentos inexistentes.

Nessa primeira operação, 50 pessoas – imigrantes pobres romenos, albaneses, senegaleses, bengaleses e norte-africanos, além de alguns italianos – foram detidas e receberam multas entre 600 e 1,2 mil euros.

O prefeito de Roma, Walter Veltroni, quer mais do que uma normativa local, como a implementada por Florença, para enfrentar o problema da segurança nas cidades italianas de maneira mais eficaz. Veltroni defende leis nacionais.

De acordo com o prefeito, um problema preocupante e em crescimento em Roma é o dos "flanelinhas".

Mas, enquanto uma lei nacional não chega, Veltroni criou nos últimos dias uma equipe especial do município, formada por 60 vigias urbanos, para controlar e multar aqueles que cometem pequenos atos ilegais.

Com a polêmica envolvendo os lavadores de vidros, voltou à tona nesta semana outro problema também estreitamente ligado com a imigração: a prostituição.

Vários prefeitos de grandes cidades italianas dizem que são obrigados a adotar normas locais contra a prostituição, porque ainda não existem leis nacionais para barrar o fenômeno em crescimento no país.

Multas para os clientes, criação de casas de acolhida para as baby-prostitutas e de equipes especializadas da Polícia para vigiar os locais de prostituição e a colocação de telecâmeras são algumas das medidas adotadas por muitas prefeituras.

Segundo reportagem publicada nesta terça-feira no jornal La Repubblica, a Itália tem cerca de 70 mil prostitutas, 50% delas imigrantes. Já o número de clientes é de mais de nove milhões todos os anos, que movimentam um mercado que gera lucros mensais de 90 milhões de euros.

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