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Atualizado às: 21 de agosto, 2007 - 21h59 GMT (18h59 Brasília)
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Presidente do Paraguai critica ingerência da Igreja em campanha

Nicanor Duarte, presidente do Paraguai
Duarte Frutos acusa padres de fazer campanha para ex-bispo
O presidente do Paraguai, Nicanor Duarte Frutos, criticou a ingerência da Igreja católica na campanha eleitoral para as eleições presidenciais de 20 de abril do ano que vem.

Para Duarte Frutos, diferentes padres estão realizando campanha para o candidato da oposição, o ex-bispo Fernando Lugo, que lidera as pesquisas de opinião para o pleito.

"Peço que a Conferência Episcopal realize uma autocrítica e revise a conduta de muitos bispos que usam o púlpito para fazer campanha para Lugo ou para dar espaço à oposição contra o governo", criticou Duarte Frutos à imprensa paraguaia.

Ex-bispo emérito do departamento (Estado) de São Pedro, Lugo deixou o posto no ano passado e lançou sua candidatura pela frente de oposição Concertación Nacional.

Igreja

De acordo com a imprensa paraguaia, ele continua "suspenso" pela Igreja por se dedicar à política.

O presidente Duarte Frutos, do tradicional Partido Colorado, ainda acrescentou: "Alguns sacerdotes se aproveitam da liberdade de expressão. E eu queria saber por que anualmente muitos deles abandonam a vida religiosa, outros se casam e se burlam do celibato e outros se convertem em alcoólicos", disse.

As declarações de Nicanor Duarte Frutos à imprensa paraguaia foram feitas dias depois que o bispo de Misiones, Mario Melanio Medina, o criticara e saíra em defesa de Lugo, numa entrevista publicada domingo no jornal ABC Color, de Assunção.

"O presidente nos critica porque está desesperado. Quer recuperar o respeito do público e não sabe como", disse Medina. "Nicanor tem um medo terrível de Lugo."

O bispo também classificou de "absurda" a afirmação atribuída ao presidente de que o candidato da oposição tenha 17 filhos e disse que no Paraguai ainda se vivem as "seqüelas da era de Stroessner", em referência ao ex-ditador Alfredo Stroessner, do Partido Colorado, que governou o país entre 1954 e 1989.

Nicanor Duarte Frutos já havia acusado, de acordo com o ABC Color, o bispo Medina de "político provavelmente frustrado".

Nesta terça-feira, numa entrevista à emissora de rádio Ñanduti, da capital paraguaia, Medina voltou a responder ao presidente, dizendo que seus "ataques" fazem parte de "estratégia" política, de quem quer se apresentar "como vítima" e atacar Lugo, pouco antes da visita ao Vaticano.

O presidente do Paraguai deverá ser recebido pelo papa Bento XVI, no dia 29 de outubro. Segundo a rádio Ñanduti, Nicanor Duarte Frutos é seguidor da igreja protestante "Raíces" ("Raízes) e avesso à Igreja Católica.

O presidente acusou ainda um padre, Rafael Tanasio, de ter servido à polícia de Stroessner.

"Ele tem um crucifixo e sua batina manchados de sangue de nossos compatriotas que morreram nas salas de tortura", disse, ainda de acordo com a imprensa paraguaia.

As declarações também são motivos de debate e análise nas emissoras de rádio do país nesta terça-feira, a oito meses das eleições presidenciais. Recentemente, Duarte Frutos declarou seu apoio à ministra da educação, Blanca Ovelar de Duarte, cuja candidatura deverá ser confirmada na primária do Partido Colorado, provavelmente em dezembro.

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