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Atualizado às: 18 de agosto, 2007 - 05h10 GMT (02h10 Brasília)
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Novos tremores dificultam volta à normalidade no Peru

Peruana nos escombros de terremoto
Presidente espera que tudo volte à normalidade em dez dias
O forte tremor secundário que atingiu a capital do Peru na manhã desta sexta-feira reforçou o clima de medo e dificultou ainda mais a volta à normalidade na capital do país, dois dias depois do terremoto que deixou pelo menos 510 mortos.

Apesar de o presidente Alan García ter afirmado que espera que tudo se normalize no país em dez dias, a Defesa Civil já avisou que o Peru deve voltar a ser sacudido por tremores durante as próximas semanas.

Nesta sexta-feira, as crianças de Lima voltaram para às aulas, suspensas por causa do terremoto de quarta-feira, mas muitos pais se arrependeram de se separar de seus filhos.

"Eu não deveria ter mandado minha filha para a escola porque o tremor forte foi durante a manhã, hora em que ela está estudando. Estou arrependida", conta a brasileira Silvia Araújo, de 38 anos, que mora no Peru há seis anos. "Já liguei para a escola e está tudo bem."

Medo de dormir

À noite, a filha de Silvia, Elora Araújo, de nove anos, não quis se deitar. "Ela dorme normalmente às 20h30. Eram 22h30 e ela não podia dormir. Estava com medo, assustada. Ela me perguntava se o edifício poderia desabar", diz a mãe.

A brasileira afirma que, deitada, a filha ficava achando que a cama estava se mexendo.

A jornalista peruana Erika Nakamoto também se assustou com o tremor da manhã. Ela diz que sabia que haveria tremores secundários, normais depois de um terremoto, mas não imaginou que seriam tão fortes.

"Eu levei meu pai para a área de segurança da casa e ficamos esperando passar", revela.

O peruano César Mauricio Ramírez estava tomando café da manhã e foi diretamente ao quarto de seu filho para protegê-lo.

"Foi muito rápido desta vez. Durou menos de 20 segundos. Eu decidi não mandá-lo para o colégio. Estou com medo de que haja mais um terremoto", afirma.

Ajuda

Em Pisco, onde instalou o governo de forma provisional para ver de perto os trabalhos de resgate, o presidente Alan García afirmou que ninguém vai morrer de sede ou fome no Peru.

García prometeu abastecer de água e alimentos os mais de 80 mil desabrigados que o terremoto deixou.

O presidente também pediu calma aos peruanos, depois que muitos entraram em desespero e começaram a saquear mercados e caminhões com comida.

Até agora, mais de 80 toneladas de alimentos e remédios foram distribuídas na região sul do país.

O abastecimento de água continua cortado e não há energia elétrica. As filas para receber água são grandes, e a população está cansada porque a maioria está dormindo na rua.

No sul do Peru, a região mais atingida pelo terremoto de quarta-feira, o clima ainda é de dor e de luto. Os hospitais estão lotados e há filas para o atendimento médico.

Os hospitais em Lima também enfrentam superlotação. Cerca de 400 feridos foram levados de Ica, Chincha e Pisco para a capital peruana.

A Defesa Civil está recebendo roupas, cobertores, água, alimentos não-perecíveis, remédios e caixões.

Aviões e helicópteros da Força Aérea Peruana viajaram durante todo o dia até a região sul do país para levar os donativos.

Os moradores de Lima reagiram com bastante rapidez e solidariedade: centenas de pessoas estão doando sangue, e em muitos supermercados quase não há estoque de comida enlatada e garrafas de água.

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Cerca de 80 mil estão desabrigados.
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